domingo, 15 de fevereiro de 2009

Oscar 2009 - minhas apostas

Feito o desabafo, aí vao minhas apostas para este ano.

FILME
Slumdog Milionaire e pronto. Há uma ínfima chance que seja desbancado por Benjamin Button, o que é pouco provável. O Leitor, Frost/Nixon e Milk estao fora do páreo.

DIRETOR
Talvez para compensar o maravilhoso trabalho de Davi Fincher em Benjamin Button, o sujeito acabe recebendo um troféu. Nao acredito, deve ficar mesmo com Danny Boyle por Slumdog

(aliás, repararam que pela primeira vez os cinco indicados a diretor assinam as cinco obras indicadas a filme?)

ATOR
Mickey Rourke por O Lutador. Eles adoram histórias de superação pessoal, como a retratada no filme e que ilustra a decadência do ex-astro de Nove e meia semanas (aquele horrososo videoclip em forma de filme dos anos 80). Sean Penn por Milk seria uma surpresa honesta.

ATRIZ
Nao vi O Casamento de Rachel, com Anne Hathaway que a crítica americana vem elogiano horrores. Meryl Streep já levou Oscars suficiente para dez vidas. Angelina Jolie nas maos do melhor diretor americano em atividade, Clint Eastwood, merecia.

ATOR COADJUVANTE
Falam em Heath Ledger pelo seu Coringa. Nao lembro de prêmios póstumos, mas tem um apelo interessante.

ATRIZ COADJUVANTE
Marcaria Marisa Thomei, por O Lutador, mas nao vi Doubt, que emplacou duas indicações.

ANIMAÇÃO
Se Wall-E nao levar, será uma das maiores injustiças da história. Mas o mundo e Oscar sao feitos de injustiças.

ROTEIRO ORIGINAL
Dos indicados, só vi Milk e Wall-E.

ROTEIRO ADAPTADO
Benjamin Button, pelo esforço em transpor o conto de Fitzgerald para o cinema.

TRILHA SONORA
Slumdog Milionaire tem temas e canções que fundem musica tradicional indiana com ritmos pop. Um espetáculo.

DIREÇÃO DE ARTE
Benjamin Button

FOTOGRAFIA
Button x Slumdog. Páreo duríssimo, ambos trabalhos sensíveis, cada um á sua maneira.

Nas outras categorias, os prêmios devem se dividir entre Slumdog e Benjamin Button.

Oscar ontem e hoje

Falem bem ou falem mal, mas quem curte cinema sempre acaba acompanhando o Oscar. É o prêmio do cinemão deles, com critérios discutíveis, mas que a cada ano, nesta época, empolga os cinéfilos de plantão.

Para filmes mais densos ou alternativos, temos Cannes, Veneza, Berlim, a Mostra de SP.

Nao posso deixar de lembrar que este mesmo prêmio já dado a obras-primas como

Aconteceu Naquela Noite
Do Mundo Nada se Leva
Rebecca (aliás, Hitchcok NUNCA GANHOU UM OSCAR DE DIREÇÃO, acreditem!!! E Ron Howard já levou um...)
Como era verde o meu vale
Farrapo Humano
A Malvada
A um Passo da Eternidade
Lawrence da Arábia
Perdidos na Noite
O Poderoso Chefão,
Os Imperdoáveis

Por que este saudosismo agora?

Tente comparar com os vencedores dos últimos anos:
Onde os Fracos nao tem vez
Crash
Chicago
Conduzindo Miss Daisy
Rain Man

Tudo bem, o mundo mudou, o cinema mudou, as pessoas mudaram e já nao vão ao cinema como antes.
Posso despertar a fúria de alguns, mas honestamente, nenhum destes últimos títulos chega aos pés de qualquer filme da lista acima. Sao filmes medianos, que nao justificam de forma alguma receber o maior prêmio da maior indústria de cinema do mundo. Mas vá entender...

Slumdog Milionaire é o simbolo da era Obama

Salvo surpresas de última hora, daquelas que só acontecem a cada passagem de cometa pela terra, o Oscar do próximo dia 22 vai aclamar SLUMDOG MILIONAIRE, que no Brasil se chamará Quem quer seu um Milionário?

Ninguém tira do filme de Danny Boyle o prêmio de Melhor Filme. Aliás, onde concorreu já ganhou tudo que podia e vai levar um monte de estatuetas para casa, desbancando até outro indicado, Benjamin Button (que particularmente me agrada mais).

O apelo do filme é inegável: um conto de fadas moderno, ascensão social com ajuda da sorte (ou do destino), um amor impossível, nenhum figurão no elenco, locações em favelas na Índia, uma trajetória condenada à miséria que se transforma pela sorte, o tom de denúncia contra as injustiças sociais.

Em tempos de mais tolerância e diálogo pregados pelo novo governo americano, com o presidente defendendo inclusive melhor distribuição de prosperidade e respeito às diferenças, nao poderia haver filme melhor para simbolizar a era Obama.

É a história de Jamal Malik, que ganha 20 milhoes de rúpias respondendo a perguntas no popular programa Quem quer ser um milionario? Sua infância miserável fugindo da polícia e dos radicais que odiavam sua religião, pequenos delitos nas ruas e a cruel indústria da mendincância.

Slumdog cria imagens chocantes ao revelar uma Índia distante dos guias de turismo oficiais, com exploração de menores, prostituição, tráfico de drogas, roubo de turistas, máfias e toda sorte de pequenas picaretagens para quem quer sobreviver.

Daí o tom de conto de fadas, que se manifesta na oportunidade que Jamal tem de responder as perguntas do programa, deixar a vida miserável e se aproximar de seu grande amor da juventude.

Para o público brasileiro a comparação com Cidade de Deus será inevitável: crianças que lutam para sobreviver num ambiente de violência e criminalidade.

Que nao se espere de Danny Boyle o ritmo impactante e criativo do ótimo e divertido Trainspotting.

Sua mao continua visível em Slumdog, sobretudo ao explorar a complexidade da cultura indiana atual em seus bastidores pouco conhecidos, como o submundo do crime e o poder da televisão. Mas agora está a serviço de um conto de fadas, o que fica bem claro no trecho após os créditos finais.

Operação Valkíria esbarra em Tom Cruise

É uma baita história, daquelas que só de ouvir dá vontade de ler o livro ou ver o filme. Um plano para assassinar Hitler conduzido por altos oficias nazistas. Por pouco nao deu certo.

Mas OPERAÇÃO VALKÍRIA, o filme que Tom Cruise se empenhou em divulgar pessoalmente, inclsuive com farta distribuição de sorrisos e autógrafos no Rio dias atrás, é justamente o próprio Tom Cruise.

A produção hollywwodiana sobre o nazismo e os horrores do regime hitlerista é farta e maniqueísta: de um lado os americanos defensores da liberdade, de outro os nazistas cruéis, psicopatas e sádicos.

Pouco (nao lembro agora) se abordou sobre a resistência dentro da própria Alemanha. Me vem a mente o recente UMA MULHER CONTRA HITLER, da espetacular nova safra do cinema alemão, que tem brindado as telas com filmes maravilhosos como Edukators, Adeus Lênin, A Queda e A Vida dos Outros.

Um extra-terrestre aos qual fossem apresentados filmes americanos como fontes históricas sobre a segunda guerra concluiria que os Estados Unidos deveriam ter jogadas todas as bombas atômicas existentes nas cidades alemãs, dada a coesão do povo alemão em torno de Hitler.

Daí a importãncia da história real do coronel Claus Von Stauffenberg, que lidera um grupo de abnegados oficiais e civis dispostos a matar Hitler, libertar os prisioneiros dos campos de concentração e a acabar com a guerra. Li em algum lugar que o homem é considerado herói (com todos os méritos) em seu país.

O primeiro problema de Operação Valkíria é que ele deveria ser um filme alemão, escrito e dirigido por algum cineasta alemão e falado em alemão. E nao um veículo para uma atuação apagada de um astro de filmes de ação americanos.

Produção caríssima e caprichada, Operação Valkíria simplesmente se dilui nas cenas em que seu protagonista aparece. Tom Cruise como o Coronel Stauffenberg até que se esforça,mas nao consegue desaparecer no personagem (como Sean Peaen em Milk ou Frank Langella em Frost/Nixon).

Cercado por gente como o ótimo Tom Wilkinson e Kenneth Branagah, além de atores alemães que estiveram em A QUEDA (o ótimo filme sobre os últimos dias de Hitler em seu bunker) Tom Cruise fala inglês com sotaque americano, enquanto o resto do elenco exibe o inglês britãnico.

Qualquer figurante em cena consegue desviar a atenção dele, sem contar o fato do roteiro ter construído um personagem unidimensional, que nao apresenta motivações claras para seus propósitos, além do altruísmo muito superficial e nenhum conflito, nenhuma dúvida.

A direção de Bryan Singer, de Superman, cria um visual eficiente para a trama, preferindo conduzir o filme como um suspense de guerra, perdendo a chance de aprofundar mais o seu protagonista.

Há um filme com Tom Cruise que gosto: Magnólia, no qual ele foi muito bem conduzido e por um momento ele nao parece ser Tom Cruise brincando de ser ele mesmo.

Frost/Nixon revela bastidores do poder e da mídia

Em 1977, com a popularidade em baixa e a auto-estima ainda mais baixa após ser escorraçado da Casa Branca por conta do escândalo Watergate, o ex-presidente americano Richard Nixon decide conceder uma série de entrevistas ao apresentador britãnico de programas de auditório David Frost.
Os encontros entre entrevistador e entrevistado inspiraram o dramaturgo e roteirista Peter Morgan ( de O Último Rei da Escócia e A Rainha) a escrever a peça FROST/NIXON, que revela os bastidores das entrevistas.
A peça, adaptada para as telas pelo próprio Morgan, é o filme homônimo dirigido por Ron Howard.
Morgan tem um tema e estilo claros: pesquisa personagens históricos à exaustão e depois cria em cima dos fatos.
Ron Howard, ainda que alguns defendem algum traço de autoria em sua obra (Cocoon, O Jornal, Uma Mente Brilhante, A Luta Pela Esperança e o sofrível Código Da Vinci) é o tipo de diretor funcional, mediano, pouco inspirado, certinho.
Do encontro entre o roteirista mais aclamado no momento e um diretor , digamos, nao mais que habilidoso, resulta FROST/NIXON.
O filme trata dos bastidores do poder, do papel da televisão na orientação de mentes e corações e do confronto (velado, destaque-se) entre dois homens que pareciam apostar nestas entrevistas a maior batalha de suas vidas.
De um lado, um Frost que conduzia shows de amenidades em busca de prestígio no meio jornalístico. Esperto, foi o primeiro homem de TV a sacar que uma entrevista com Nixon renderia um dinheirão em cotas de patrocínio. Galanteador, sorridente, boa pinta, ele precisa rodar o pires para bancar a transmissão das entrevistas, recusadas pelas grandes emissoras americanas.
Do outro um Nixon recolhido á sua mansão à beira-mar e vivendo de contar piadas em congressos de Odontologia. Nixon (Frank Langella, excelente, indicado ao oscar de ator) é retratado na típica solidão do poder, lembrando de encontros históricos com líderes de outros países, mas dinheirista que é diabo. Que saber quanto lhe renderá a publicação de suas memórias e quanto vai ganhar pela entrevista a Frost.
Como qualquer filme de Ron Howard, FROST/NIXON é certinho, bem feitinho, tem lá seus momentos inspirados, como o telefonema em que Nixon, bêbado, promete acabar com Frost na última entrevista - justamente aquele em que o ex-presidente deixa cair a máscara e se arrepende dos pecados no exercício do poder.
Dá para ver o filme como um mergulho no universo privado de um dos homens mais odiados nos anos 70 e como este mesmo homem tenta manipular um sujeito nao muito brilhante, mas que revela-se um tigre faminto ao estraçalhar Nixon em seu território, diante das câmeras de TV.
Alguns críticos traçaram paralelos entre o Nixon do filme e Bush. Ainda que Bush tenha obtido a proeza e deixar o poder mais odiado ainda que Nixon, nao consigo ver um grande apelo para este filme fora dos Estados Unidos.
Lembro do Nixon de Oliver Stone, com Anthony Hopkins, um filme que vai muito mais a fundo na figura do ex-presidente que se julgava incompreendido pelo seu povo. Mas de um filme de Ron Howard nao se pode esperar muito.

MILK é brilhante como retrato, mas perde força em seu desenvolvimento

Nao sou o maior especialista do mundo em Gus Van Sant, mas gosto muito de Drugstore Cowboy, aquele com Matt Dillon e com uma pontinha do poeta beatnik Allen Ginsberg, sobre jovens que assaltam farmácias e hospitais para se drogarem.
É um trabalho bonito, honesto, sensível, equilibrado, que nao aponta em momento algum o dedo acusador para seus tipos outsiders, optando com extrair desta trajetória auto-destrutiva alguma percepção maior sobre o papel que estes personagens poderiam ocupar numa sociedade que tenta imprimir padrões próprios e fechados de felicidade.
Também gosto do tom documental e seco com que ele construiu Elefante, sobre o massacre de Columbine. Se Michael Moore explora o fato em si, a Van Sant interessou mais contextualizar o universo em que os jovens envolvidos no massacre viviam e usar esta contextualização como reflexão sobre a a violência no mundo contemporâneo.
Sobre o remake de Psicose, nada a declarar. Foi um escorregão feio que merece ser esquecido.
O mais recente filme de Van Sant é MILK, que deve chegar logo por aqui. Aborda a trajetória pessoal e política de Harvey Milk, primeiro homosexxual confesso a ser eleito supervisor (cargo equivalente ao de vereador) na São Francisco dos anos 70.
Empresário de visão, que já sabia muito bem o potencial do mercado gay, Milk acreditava que as discriminações contra homossexuais exigiriam mais que passeatas e beijos desafiadores em público. Exigiriam participação ativa na política.
Após uma série de derrotas, Milk é eleito e finalmente tem nas mãos o poder de votar leis contra a homofobia, em um ambiente dominado por políticos conservadores e preconceituosos.
O filme equilibra bem a vida pessoal de Milk e como sua militância política exigiu um alto e trágico preço. Imagens de passeatas e violência policial contextualizam o clima da época.
A câmera na mao, a montagem permeada com cortes rápidos e secos, dá um ritmo alucinante e colorido à narrativa. mais que isso, temos a nítida impressão de ver imagens puras, captadas no calor da hora por um câmera amador que presencia os acontecimentos de perto.
O Milk de Sean Penn é impecável no tom de voz aos gestos e seria uma tristeza se não fosse reconhecido pela Academia na cerimônia do próximo dia 22.
A partir do momento em que obtém o cargo público, o filme se extende demais em discussões sobre conchavos, acertos e acordos. Aquele colorido inicial, na trama e na forma, são engolidos por uma linearidade fria e convencional.
Milk é bacana porque resiste à tentação de ser o panfleto de uma causa. Prefere observar as nuances em torno da luta contra a discriminação e nesta observação está seu mérito maior - além de Sean Penn. Mas carece, sobretudo da metade em diante, de uma alma, tornando-se assim um filme bem conduzido, mas de apelo restrito ao mercado americano.
Um detalhe é que a crítica americana em peso amou o filme.
O que Brokeback Mountain tinha de universal em sua condução honesta do relacionamento impossível entre dois homens falta a MILK. É um grande retrato do ativismo gay americano na década de 70, mas isso em si nao entusisma.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Leitor funde diversos filmes em um





O Leitor é uma produção que pode ser apreciada como três filmes distintos. Um filme desenvolve o romance entre a mulher madura, na casa dos trinta e o adolescente que é iniciado sexualmente iniciado por ela. O outro explora a responsabilidade dos protagonistas do Holocausto nos campos de concentração na Segunda Guerra. Até aí nada de novo, sobretudo para a produção holywoodiana. O terceiro filme é o mais empolgante e emocionante: o poder transformador da palavra, da leitura e dos livros. Cruzar estas três linhas com equilíbrio e sutileza foi a tarefa – nada fácil – do roteirista David Hare, que partiu do romance homônimo de Bernhard Schilink (agora relançado por aqui) e do diretor Stephen Daldry (do ótimo As Horas).

O trabalho da dupla saiu redondo, mas o brilhantismo mesmo sobrou para a parte final do filme, sobre a qual não é recomendável se alongar muito, sob pena de revelar um segredo essencial para a trama. Berlim, 1958. O jovem Michael (David Kross), de 15 anos, se apaixona pela sisuda e solitária Hanna (Kate Winslet), uma cobradora de bonde. Entre muito sexo e doses de carinho maternal, ele passa tardes lendo livros para ela, que se encanta com as histórias de Homero, Theckov e Dóris Lessing.

Um dia, Hanna simplesmente some. Anos depois, já estudante de Direito, Michael vai com o professor Rohl (Bruno Ganz, que interpretou Hitler em A Queda) acompanhar o julgamento de ex-oficiais da SS por crimes cometidos durante a Guerra.

Da platéia, Michael ouve acusações terríveis contra sua ex-amante. Ela é acusada de ser responsável pela morte de 300 detentas judias, queimadas vivas em um incêndio. Questionada sobre sua responsabilidade no ato, Hanna se limita a afirmar. "Nós simplesmente não podíamos deixá-las sair, pois elas iam escapar".

O longo julgamento leva Michael a um grande dilema moral. Ele é a única pessoa que pode inocentar Hanna. O filme então questiona o conceito de omissão, partindo para reflexões morais. A covardia de Michael não seria a mesma da mulher que cumpria ordens nos campos de concentração?

Em sua fase adulta Michael é interpretado por um silencioso e distante Ralph Fiennes (que já foi o psicopata nazista em A Lista de Schindler), um homem que fracassou em seu casamento, que se mantém distante da família e da única filha e que vive relacionamentos instáveis com estranhas. Sinal de que a relação com Hanna deixou profundas cicatrizes em sua vida.

Iniciação sexual com mulher mais madura não chega a ser um tema original, bem como as conseqüências do Holocausto. Estes dois filmes em si não chegam a empolgar. O Leitor deslancha quando aborda o maravilhoso universo dos livros, dos personagens imaginários e suas aventuras em terras distantes, expressas em palavras que salvam toda uma existência de seus pecados do passado. Contar mais seria comprometedor. Melhor assistir ao filme nos cinemas.

Para além das referências simbólicas do seu elenco, com atores que já encarnaram tipos nazistas, vale destacar a presença de Kate Winslet. Há casos em que o tempo só faz bem às pessoas. Descolada da namoradinha de Titanic, ela encarna uma mulher que carrega um segredo terrível em sua vida.Em todas as cenas em que aparece, sente-se que há um peso sobre suas costas. Seca, direta, esquentada, distante no início. Depois, serena, suave e mais leve, como se conformada com o destino. Já levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz e deve levar o Oscar.

(publicado origanlamente no portal Bem Paraná e Jornal do Estado de 11.02.09)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Contra os maus tratos aos animais

Muito criativos os vídeos que a PETA (People for Ethical Treatment of Animals) fez para divulgar ao consumidor americano o que está por trás da indústria da carne.

Sâo divertidos e apelam para os bons sentimentos do consumidor consciente.

A escolha é de cada um

Assista aos vídeos no Youtube

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Porque o Merten preferiu Baz Luhrman ao Krubrick?






Todos que leram o livro CINEMA - ENTRE A REALIDADE E O ARTIFÍCIO, do crítico Luiz Carlos Merten, do Estadão, sempre se perguntavam porque um sujeito como o Merten deixaria de fora Bergman e Kubrick entre os capítulos da obra, dedicando assim um capítulo inteiro da oba a Baz Lurhman, diretor de Moulin Rouge, Romeu + Juliet e do recente Austrália.

Para quem nao sabe, o livro é uma excelente introdução ao estudo de grandes cineastas e movimentos que marcaram a história do Cinema. Vai de Griffith a Hitchcok, passando por mestres como John Ford, Kieslowski e momentos -chave como Neo-Realismo e NOuvelle Vague.

Tudo escrito por um cinéfilo e crítico apaixonado, que tem a rara habilidade de pisar dos lados , o da crítica, com insights precisos e originais sobre os filmes, diretores e suas temáticas, e o cinéfilo enciclopédico, que associa datas, fatos, inqueitações dos cineastas.

No entanto, nesta versao mais recente, de 2004, acho, nenhum capítulo para Bergman ou Kubrick.

Outro dia postei no blog do Merten, sem esperar que ele fosse responder.

Para minha supresa, ele me respondeu.

Abaixo a justificativa para ausência de Kubrick do livro

http://blog.estadao.com.br/blog/merten/?title=eu_ignorar_kubrick&more=1&c=1&tb=1&pb=1#comments

S eu fosse você 2 - oito possíves motivos para o sucesso





Interessante observar o trecho do documento abaixo, de Viany, e pensar no desempenho espetacular de SE EU FOSSE VOCÊ 2.

Cinco semanas liderando as bilheterias e já passou dos 4 milhões de ingressos vendidos. Está muito próximo de superar os 5,2 milhoes de DOIS FILHOS DE FRANCISCO, marco do período pós-retomada.

Está inclusive à frente de produções de peso como Benjamin Button, Austrália e Sim, Senhor, que contam com ampla divulgação.

Nao vi o filme ainda, entao prefiro nao me manifestar. Mas de cara dá para raciocinar em cima de alguns elementos.

1 - Continuações, um filão pouco explorado pelo cinema nacional. Se o 1 deu certo, invista-se no 2 sem perder muito tempo. É dar mais do mesmo e pronto.

2 - O carisma do casal central, Gloria Pires- Tony Ramos. Ajuda barbaridade.

3- O dedo de Daniel Filho. Outro dia vi uma estatística, não lembro onde, que ele, sozinho, tem quase metade - ou um pouco menos - das bilheterias acima de 1 milhao entre os filmes nacionais recentes (como diretor ou produtor). O homem tem faro para o que as pessoas querem ver e é rápido em criar, produzir e por um filme nas telas.

4 - A inversão de papéis que é uma marca da vida moderna. Com a crise financeira entao, muitos maridos estão quietinhos em casa cuidando da rotina familiar e as esposas é que estao segurando as contas. E tem também a própria idéia de se projetar na pele do outro, um fetiche que só o cinema proporciona.

5 - Assinatura Globo Filmes, o que garante boa cobertura de mídia.

6 - Época de lançamento, férias, mais tempo livre.

7 - Gênero comédia para todas as idades, o que permite levar a familia toda ao cinema.

8 - Aborda o universo, valores, situações, lugares, trabalho, conflitos, diversões, dúvidas da classe média, que é quem vai ao cinema e é pouquíssimo representada no cinema nacional. É pura identificação, quem paga o ingresso pode se ver no filme.

É um conjunto de fatores que pode explicar o êxito do filme. Veja bem, pode. Certamente há outros que nao me ocorrem agora e mesmo estes sao apenas chutes.

De qualquer forma, o caso deste filme deveria ser estudado mais a fundo por quem faz e pesquisa cinema no Brasil e por quem produz e cria mecanismos de financimento.

Nao sei ao certo, mas acredito que o filme já deve ter pago seus custos de produção. O que é raríssimo por aqui.

Acervo de Alex Viany está na web

"O cinema brasileiro só tem um caminho a seguir: o das produções baratas que usem temas legitimamente brasileiros, a fim de que se possa conquistar nosso mercado, agora dominado pela produções estrangeiras".

O trecho consta em uma página surrada dos idos de mil novecentos e alguma coisa. São do monumental cervo do crítico, cineasta e pesquisador carioca Alex Viany, que acaba de desembarcar na web.

É uma ótima notícia para os cinéfilos e pesquisadores, que agora terão acesso a cerca de 1800 itens datilografados por Alex, entre críticas, reportagens e entrevistas.

O projeto de recuperação do acervo foi conduzdio pela filha de Alex, Betina.

O site é www.alexviany.com.br.

Como nao temos memória de quase nada no Brasil, sobretudo memória de nossa história audiovisual, a iniciativa merece todos os elogios.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Foi apenas um sonho expõe infelicidade conjugal no pós-Guerra





>Enquanto assistem à pior crise de sua história e esperam milagres por parte do novo presidente, os americanos sentem saudades dos anos 50. O país acabava de sair vitorioso da Guerra contra o nazismo na Europa. O conflito turbinou a economia, gerou empregos e fixou as bases do grande mercado de consumo de bens duráveis. É a era dos maridos empregados em grandes corporações e suas esposas, donas de casas sorridentes, ambos instalados em casas confortáveis nos subúrbios dos grandes centros.


Esta América dos sonhos, que em sua aparência exala felicidade material mas em seu íntimo cobra o preço da conformidade e do vazio de rotinas previsíveis de seus membros, é a base do romance Revolucionary Road, de Richard Yates, adaptado para as telas com o título em português de Foi Apenas em Sonho.


O nome original refere-se à rua onde vive o casal que protagoniza o filme, condicionando esta existência a um conjunto de valores típico dos subúrbios: crença no conforto material e acomodação com os papéis masculino e feminino dados pela sociedade.


Mais de década após estrelarem Titanic, o filme de maior bilheteria em toda a história do cinema, Leonardo Di Caprio e Kate Winslet voltam a atuar juntos em uma produção. Mas desta vez, nada de amores impossíveis ou romantismos juvenis em alto mar.


No longa, eles dão vida ao jovem, admirado e belo casal Wheeler. Frank é um trintão que não sabe muito bem o que quer. Na falta de coisa melhor e como precisa sustentar a mulher e duas crianças, passa os dias odiando seu emprego na Knox, uma companhia de equipamentos. Para espantar o tédio, fala mal dos chefes e seduz secretárias.


Frank é casado com April, que em sua juventude queria ser atriz. Apesar da rotina de mãe de dois filhos e dona-de-casa, ela não desistiu totalmente de seus sonhos e segue atuando em produções sofrivelmente amadoras.


Se Frank é o sonhador conformado com um horizonte medíocre em um trabalho maçante, April traz da experiência fracassada no teatro a centelha da esperança em uma vida mais intensa, longe de vizinhos entediantes, empregos monótonos. Sugere ao marido que se mudem para Paris, onde tudo é mais intenso e divertido e mais: ela se propõe a sustentá-lo enquanto ele encontra sua verdadeira vocação.


O que se apresenta como solução para que Frank e April encontrem o verdadeiro sentido de suas vidas na verdade passará a servir de pretexto para que o filme questione a possibilidade de felicidade a dois e quanto de sacrifício pessoal um casamento exige, o quanto este sacrifício vale a pena e os casos em que ele pode ser completamente inútil.


O diretor Sam Mendes volta ao terreno de um de seus trabalhos mais expressivos, Beleza Americana, ao observar com lente de aumento o que está por trás de uma vida de prosperidade na classe média americana. Até que ponto as frustrações individuais podem ser sufocadas em nome de uma rotina previsível, monótona, onde a única novidade é observar o crescimento dos filhos.


O conformismo coletivo é apresentado como uma grande doença da qual toda a sociedade padece sem perceber. Neste sentido, o personagem John Givings, o louco que recebeu choques elétricos no hospício, é a única pessoa capaz de revelar verdades terrivelmente dolorosas sobre os planos dos Wheeler de se mudarem a Paris e seu adiamento em função da carreira de Frank.


O título original guarda uma ironia que a tradução (infeliz) perdeu. Revolocionary Road é uma vizinhança arborizada, calma, agradável, o lugar perfeito para se criar os filhos, mas de revolucionária mesmo não tem nada. Ao contrário, cria todo um cenário para que os que nela vivem recusem seus sonhos individuais e aceitam com resignação projetos alheios, previsíveis e limitantes.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Benjamin Button celebra a vida









Desculpem a ausência. Faz um tempinho que nao posto nada aqui, mas hoje vai. Quero falar alguma coisa sobre O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON, que chegou ontem por aqui.
Estava pensando em uma palavra para definir o filme. Encontrei hoje, no blog do Merten: epifania.
Eu acredito que alguns filmes iluminam as nossas vidas. Outros são para passar o tempo, outros são criativos e cheios de frescuras e há uma grande maioria dispensável.
Uns poucos filmes tornam a vida da gente melhor, daí o Merten deu forma a meus pensamentos ao lembrar da epifania, revelação , compreensao sobre algo.
É nesta linha que se pode apreciar o filme de David Fincher.
Trata-se de uma história que em si já tem um baita apelo dramático: um homem que nasce velho e vai se tornando jovem. Eo filme trata de tudo de bom e de ruim que há nisso.
Mas o apelo em si nao sustentaria o filme. O roteiro impecável parte do conto de Scott Fitzgerald publicado em 1921 e vai até 2003, quando o Katrina devastou New Orleans.
Tarefa dura abarçar tanto tempo em 150 minutos.
Talvez por isso o conto tenha demorado tanto tempo para chegar às telas, fora questões de direitos autorais.
Enquanto o grosso da produção contemporânea se pauta pelo apelo à violência e ao sexo (atenção, nao estou sendo careta nem condenando) e pela celebração da morte, BB opta por festejar a vida com tudo que ela tem de alegria ou tristeza.
O velho-jovem Benjamin descobre e desfruta daqueles pequenos momentos que definem um ser humano: perdas, paixão, sexo, porre, viagens, amigos, saudades, perdão.
Daí a epifania a que se refere o Merten: a gente precisa ter isso jogado na cara, como se a tela fosse um espelho mesmo, para percebr o quanto nossas vidas sao costuradas com pequenos milagres.
Talvez o conjunto destes milagres, alguns tao simples, como observar o nascer do sol - como faz Benjamin com seu pai - passem despercebidos. Revelar estes momentos na sala escura é reconhecer que eles, os momentos, as alegrias e tristezas, compoem aquilo que a gente chama de Felicidade, com F maíúsculo, que gente passa a vida toda procurando.
O filme escolhe celebrar a vida em várias frentes. As locações em New Orleans, com seus casarões antigos e o rio Mississipi cortando a cidade, o jazz que dá um colorido contagiante, a reconstrução histórica de quase 70 anos perfeita (é bom ter dinheiro, né?), beija-flores que representam a alma dos que partem.

Cate Blanchet (linda, perfeita) de bailarina novinha à idosa é o par de Brad Pitt, o Benjamin, o velho que nasce com 80 e termina bebê.

Reparem em uma cena no Hotel na União SOviética em que ele se envolve coma mulher de um diplomata inglês. Ela o ensina a saborear caviar com vodka. Ela o ensina a viver o presente com toda a sua plenitude, a agradar o corpo e à alma.

Ah, eu saí do cinema com o maior clima Forrest Gump (protagonista inocente que aprende com as pessoas e com a vida).
Nao foi à toa.
Adivinhem que outro filme o roteirista Erich Roth escreveu?????
Abs

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Festival do Paraná traz oficina e longa de Mojica



Começa na próxima segunda, dia 06 de outubro, a terceira edição do Festival do Paraná de Cinema Brasileiro e Latino.
A programação reúne debates, oficinas e mostras de curtas e longas.
Toda a programação está agendada para o Museu Niemeyer.

Vale ver a mostra com títulos do italiano Dino Rosi, o pai da comédia italiana, morto em junho deste ano e a mostra de filmes de Glauber Rocha, de Barravento, seu primeiro longa a Idade da Terra.

Entre as oficinas, destaque para a de Cinema Maldito, a ser conduzida por ninguém menos que José Mojica Marins. Posso estar enganado, mas duvido que ainda tenha algum lugar disponível para esta oficina.

Do mesmo Mojica, o Festival exibe em competição o seu ultra esperado A Encarnação do Demônio, filme que fecha a famosa e cultuada trilogia com o personagem Zé do Caixão e sua incessante busca por uma mulher que dê a ele o filho perfeito. Após o filme de Mojica, será exibido Mysterios, produção local de Beto Carminatti e Pedro Merege baseada no livro O Mez da Gripe, de Valencio Xavier. Os dois filmes agendados para a noite de sexta, dia 10, com casa cheia.

A programação completa do festival pode ser acessada no site do evento.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Festival de curtas vai premiar melhores videos amadores

A Claro organizou, em parceria com a LG, a Microsoft/MSN Vídeo e a OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Mais Diferenças um concurso que premiará os melhores curtas com o tema Diversidade e Inclusão. Mas há um detalhe: só poderão participar vídeos feitos com equipamento amador, com duração entre 30 e 90 segundos!

É importante louvar as câmeras amadoras, já que elas são estopim da democratização do cinema – da Super 8, nos anos 60, ao VHS, na década de 80. Mas equipamento por si só não faz história; foi preciso que houvesse movimentos por um cinema mais simples, como o Dogma 95, dos cineastas Lars Von Trier e Thomas Vinterberg. Com a tecnologia somada ao endossamento da indústria, criou-se o contexto propício à popularização. Faltava saltar um obstáculo: a distribuição.

Recentemente, esta última barreira caiu, com o crescimento e desenvolvimento da internet. A chamada web 2.0 colocou o usuário na condição de produtor de conteúdo. A evolução da tecnologia de vídeo também colaborou com isso; hoje, qualquer celular com câmera pode filmar.

Ou seja: um celular basta para você criar um filme e inscrever na competição. José Padilha, diretor de Tropa de Elite; Breno Silveira, diretor de Dois Filhos de Francisco; Sérgio Sá Leitão, diretor da ANCINE; Tadeu Jungle, um dos precursores da videoarte no Brasil; e Stephen Hopkins (diretor e roteirista da série 24 Horas e do filme Predador 2, entre outros), compõem o júri que escolherá os 20 melhores filmes.

Os autores dos vídeos selecionados poderão participar de debates abertos em São Paulo e diversos workshops visando à melhoria das imagens, áudio e trilha sonora de seus filmes. Para manter a fidelidade ao tema proposto, haverá também workshops para tornar os filmes mais acessíveis com a inclusão de legendas e LIBRAS (linguagem brasileira de sinais). O foco principal é a democratização dos bens culturais.

Os filmes inscritos poderão ser filmados com câmeras digitais comuns ou celulares, além de outros tipos de equipamento como câmeras Super 8. Quem não tiver nenhum equipamento que filme pode inscrever animações feitas com fotografias ou flash.
O primeiro colocado ganhará um prêmio de R$ 50 mil em barras de ouro; o segundo ganhará barras no valor de R$ 30 mil; o terceiro, de R$ 15 mil; e o quarto lugar – a ser escolhido por júri popular – ganhará R$ 5 mil, em barras de ouro. Além disso, os 20 finalistas levarão um celular LG secret.

Se você quiser participar, basta se inscrever pelo site http://www.clarocurtas.com.br

sábado, 30 de agosto de 2008

Quase Nove: 52% dos brasileiros não vai ao cinema





Em 2007 os filmes nacionais tiveram 8,7 milhões de espectadores no Brasil, o que corresponde a cerca de 10% do total do público. A informação, da Nielsen EDI, foi apresentada nesta terça-feira, durante painel do Fiicav, em São Paulo.

Além da Nielsen, Globo Filmes e o Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro apresentaram pesquisas semelhantes entre si sobre o mercado de cinema. Embora alguns números tenham sido conflitantes, como o que se refere à preferência ou não por filmes nacionais, o que ambas mostraram é que 52% do público pesquisado não tem o hábito de ir ao cinema. Esses 52% são aqueles que sequer são potenciais consumidores desse tipo de lazer.

As pesquisas qualitativa e quantitativa do Datafolha feitas para a Glob o Filmes no Rio de Janeiro e em São Paulo, em 2006 e 2007, apontaram que esse público não vai ao cinema porque o hábito não foi passado dos pais para os filhos.

Em relação à percepção do cinema nacional e do estrangeiro, a pesquisa da Globo Filmes apontou que o cinema, de um modo geral, está associado ao entretenimento, e que os filmes estrangeiros são ligados ao sonho, à fantasia, ao clima de descontração. Já os nacionais estão mais associados ao mundo da dura realidade, pobreza, sofrimento e temáticas sociais. "Para ampliar o mercado, seria necessário aproximar-se um pouco mais da expectativa que o público potencial tem de lazer e entretenimento", apontou Carlos Eduardo Rodrigues, da Globo Filmes, em sua apresentação.

A pesquisa encomendada ao Datafolha pelo sindicato, realizada em dez mercados, mostrou que a avaliação do filme nacional é boa para 58% do total de entrevistados. É curioso o dado que diz respeito ao motivo pelo qual o espectador acha os filmes nacionais bons: 56% do público freqüentador fez referência ao tema abordado. Quando a pergunta é "por que os filmes são ruins ou péssimos?", a resposta foi a mesma: 80% dos freqüentadores de cinema fizeram referência ao tema abordado.
Em ambas as pesquisas, o gênero aventura e ação foram os preferidos, seguidos de comédia.

Classe C

Enquanto profissionais de diversas indústrias perguntam-se como chegar à classe C, o cinema já faz parte do entretenimento dessa fatia da população. Foi o que mostrou a pesquisa da Globo Filmes, que apontou que 44% do público de cinema é da classe B, 37% é da classe C, e outros 38% de potenciais consumidores são da classe B e 44% da C.

A pesquisa do sindicato mostrou que 56% do total do público de cinema é da classe C. Entre os potenciais consumidores, são 69% da classe C.

(post anterior sobre mesmo assunto)

(Fonte TELA VIVA News)

Decálogo de Kieslowski é lançado Brasil









Vibração entre os cinéfilos fãs de Kieslowski! Após anos de espera ansiosa, finalmente chega ao Brasil o aclamado DECÁLOGO, série com dez filmes produzidos para a TV polonesa em 1988. Dois episódios, Não Amarás e Não Matarás, ganharam versões para cinema e são mais conhecidos por aqui.

O diretor K. Kieslowski tem seu nome associado à Trilogia das Cores, mas quem acompanha seu trabalho sentia muita falta do Decálogo, disponível até então apenas pela Internet.

O crítico Luiz Carlos Merten, em seu blog no estadão, comenta que mal foi lançado por aqui o filme já é o centro de uma batalha judicial envolvendo duas distribuidoras.

Na Cartoon do Cabral estão disponíveis o Não Amarás e Não Matarás. Esperemos que em breve a Locadora obtenha os outros oito episódios.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Curso de História do Cinema para cinéfilos de todas as idades e formações começa dia 14 de agosto



Estão abertas as inscrições para o curso CINEMA – HISTÓRIA, ARTE e ENTRETENIMENTO.


No segundo semestre de 2008, as aulas serão às quintas (das 19h10 às 21h40), com início dia 14 de agosto e encerramento em 14 de dezembro.

Este curso é estruturado e direcionado para qualquer pessoa que gosta de cinema e que aprofundar seus conhecimentos.

Aliás, o único requisito é gostar de ver e de conversar sobre filmes.

As turmas reúnem gente de todas as idades e formações: estudantes que concluem o Ensino Médio, estudantes de Comunicação Social, Filosofia, Artes Visuais, Arquitetura, Medicina, Administração, Psicologia, Engenharia, médicos, advogados, nutricionistas, funcionários públicos, músicos, atores e diretores de teatro.

Em comum, os participantes têm o interesse por cinema e por conhecer a história da produção cinematográfica, além de ampliar seus repertórios sobre filmes, diretores, estilos, tendências.

A idéia é que quanto mais se conhece algo de que se gosta, mais se aprecia. Além das aulas sobre história do cinema, o curso aborda ainda noções de linguagem e Cinema Brasileiro.

A intenção é, uma vez por semana, à noite, com direito a intervalo para o café, apresentar um estudo aprofundado do universo fílmico, com enfoque acadêmico, porém em uma linha mais informal, que seja sobretudo divertida e que leve o aluno a conhecer outros estilos, diversos daquele que aprecia, ou a apreciar ainda mais o estilo ou gênero que já gosta.

Trata-se de um curso de cinema essencialmente teórico e analítico que pode tanto servir ao estudante de Audiovisual em busca de uma referência mais sólida quanto ao apreciador sem intenção de produzir um trabalho na área.

A cada aula, são exibidos trechos de filmes importantes, seguidos de análises e discussões. Uma extensa lista com títulos essenciais também é sugerida aos alunos.

ATENÇÃO: não confundir este curso com o Preparatório para o Vestibular de Cinema e Vídeo de FAP/CINETV-PR, que tem outro público e outro enfoque, mais específico.

Para mais informações sobre o curso, acesse a seção curso Cinema História neste blog

CURSO CINEMA – HISTÓRIA, ARTE e ENTRETENIMENTO


Quintas, das 19h10 às 21h40
De 14 de agosto a 14 de dezembro
Uma vez por semana

Studio Botteri - Rua Santo Antonio, 41, Rebouças,
Curitiba (
ver mapa)



Informações:

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Cinéfilos ganham site para agendar filmes no cinema

A idéia parace ser bem interessante: escolher o filme que queremos ver, reunir amigos e agendar uma sessão no cinema. É coerente com a tendência de criar conteúdos e entretenimento sob demanda do usuário. Ao invés de impor um filme e esperar, os interessados escolhem o que querem ver e assistem, para isso mobilizando um número mínimo de amigos.

Crei uma comunidade para reunir os cinéfilos de Curitiba:
http://www.moviemobz.com/movieclub/profile/ccid/168

Estão todos convidados a participar!

Um site de relacionamentos para cinéfilos, que tem parceria com uma grande distribuidora de conteúdo digital, promete resgatar o clima de cineclube para internautas, agendando salas de cinema para sessões de filmes raros ou fora de cartaz.

A MovieMobz, que lançou na segunda-feira seu site (www.moviemobz.com), tem um catálogo de 200 filmes digitais e uma rede de 159 salas de cinema espalhadas por 18 cidades brasileiras, em parceria com a distribuidora brasileira Rain.

O site funciona como o Orkut ou MySpace. Os visitantes têm acesso às fichas dos filmes, com sinopses, trailers e críticas de outros usuários, além de poder contactar amigos e criar comunidades, chamadas de "Movieclubs".

As pessoas cadastradas podem participar da "mobilização", ou seja, fazer com que determinado filme seja exibido no cinema de sua cidade ou bairro. A quantidade mínima de pessoas para a sessão acontecer depende do tamanho da sala e do horário, que também vão determinar o preço do ingresso.

Por atrás dessa novidade estão os dois sócios-fundadores da Rain, José Eduardo Ferrão e Fabio Lima, atual diretor-executivo da MovieMobz, e o veterano distribuidor Marco Aurélio Marcondes, diretor-geral da nova empresa.

"Uma mobilização pode ser de 10, 15 pessoas ou até 300 pessoas", explicou Fábio na festa de lançamento na noite de segunda-feira. "E pode interferir no preço do ingresso, quanto mais gente, menor o preço."

Como o site foi lançado na segunda-feira, ainda não há nenhum filme "mobilizado", agendado para uma sessão. Os diretores não souberam informar quanto tempo um agendamento pode demorar a ser feito, já que depende da procura dos usuários e da disponibilidade das salas.

Porém, no Rio de Janeiro, maior praça com 16 cinemas cadastrados, há 63 filmes "em mobilização". "Uma Mulher Contra Hitler", por exemplo, já tem 10 usuários dispostos a vê-lo no Estação Vivo Gávea, embora os direitos do filme ainda estejam em negociação para projeção digital.

O site/distribuidora MovieMobz também possibilita que cidades fora do grande circuito de cinema recebam filmes atualmente em cartaz em outras regiões, fazendo com que produções independentes tenham um maior alcance, se houver demanda.

"É uma coisa inédita no Brasil e no mundo. É cinema sob demanda", afirmou Marco Aurélio, entusiasta dos cineclubes desde os anos 1970.

Ele completou que a empresa espera levar o MovieMobz para países da América Latina e Estados Unidos, onde a Rain possui salas de cinema com projeção digital.

O acervo da MovieMobz é composto por filmes nacionais e internacionais, a maioria produções independentes, com destaque para filmes de arte e clássicos. A empresa espera elevar seu catálogo de filmes para 600 até o final do ano

terça-feira, 1 de julho de 2008

Cinema brasileiro: filmes do segundo semestre de 2008

A Revista de Cinema publica um calendário anual com as estréias do ano.

Tudo leva a crer que o calndário não está totalmente atualizado, pois o número de títulos é pequeno em comparação à leva que chega toda sexta nos cinemas, mas ali dá para ter uma idéia da produção nacional que vem por aí.

O cenário, segundo a lista, não parece dos melhores: uma média de 3 a 6 filmes nacionais por mês.

Destaque para Linha de Passe, que ganhou Melhor Atriz em Cannes e Ensaio sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles, previstos, respectivamente, para agosto e setembro.

Ausências: Última Parada 174, de Bruno Barreto, sobre o sequestro do ônibus 174 no Rio de Janeiro, que estréia em outubro.

É a dramatização sobre o acontecimento que foi tema do documento Ônibus 174, de José Padilha. Este ainda este ano lança seu novo documentário, Garapa; e Desafinados, de Walter Lima Jr, sobre jovens músicos nos anos 60.

Veja a lista publicada pela revista

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Aramis, Splendor e o cinema

Um dos grandes nomes da crítica cultural brasileira, o jornalista Aramis Millarch faleceu em 1992. Em 30 anos de trabalho na imprensa paranaense, ele produziu nada menos que 50 mil artigos. Parte deste precioso acervo, um registro da memória da produção cultural em várias áreas, como música, teatro, literatura, artes plásticas e sobretudo cinema, está sendo digitalizada e reunida no projeto TABLOIDE DIGITAL.

É uma oportunidade muito bacana de se conhecer a memória da atividade cultural no Paraná.

Para homenagear o Aramis, abaixo reproduzo o trecho de um texto sobre o filme Splendor, de Ettore Scolla. O filme é de 1998 e o texto é de 1990.

O filme é, ao lado de Cinema Paradiso, uma declaração de amor ao cinema e ao tempo em que existiam cinemas.

"Se o cinema é a indústria dos sonhos iluminados projetados na tela branca, "Splendor" é mais do que um filme: é o próprio sonho.

Em torno deste filme não deveria haver críticas, ou releases: ou no máximo um poema tão profundo quanto aquele que Carlos Drummond de Andrade dedicou a Carlitos.

"Splendor" é magia do início ao fim. Um filme para quem ama o cinema, sua simbologia, seu folclore.

Em tudo a simplicidade: a história de um cinema - o Splendor, de uma pequena cidade da Itália, inaugurado nos anos 30, em plena ascensão do fascismo. Jordan (Marcelo Mastroianni), seu proprietário, filho de um caixeiro-viajante das imagens que, no início do século, levou a usina dos sonhos em projeções de cidade em cidade."
texto completo

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Cinema brasileiro em alta,mas público segue 'escondido'

O cinema brasileiro virou a vedete do país no exterior. Arranca elogios e prêmios nos festivais europeus, exporta diretores para grandes estúdios internacionais e promete uma das melhores safras de produção para este ano.


Encontrar o público, no entanto, segue sendo um de seus maiores desafios.

Em maio, a boa exposição do cinema nacional teve seu auge, no Festival de Cinema de Cannes, quando dois brasileiros participaram da competição oficial. "Ensaio sobre a Cegueira", de Fernando Meirelles, abriu o evento, e "Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas, ganhou prêmio de melhor atriz.

Apesar de vistos como filmes brasileiros, ambos são co-produções com outros países, como Canadá e Japão, um movimento alternativo aos incentivos fiscais do Brasil.

No último Festival de Berlim, um dos principais ao lado de Cannes e Veneza, o Brasil saiu vencedor do Urso de Ouro com "Tropa de Elite", de José Padilha. Salles, Meirelles e Padilha, aliás, têm projetos com grandes estúdios norte-americanos.

O interesse estrangeiro pelo cinema brasileiro e latino-americano foi percebido por quem viajou até Cannes.

"Nas inúmeras entrevistas com jornalistas internacionais pude perceber que este ano o cinema latino-americano foi considerado o foco do festival. Isso é algo que não acontece há pelo menos 20 anos", disse Daniela Thomas.

Tudo parece brilhar no setor, que promete ainda uma das melhores safras de filmes nacionais para 2008, segundo distribuidores e especialistas.

Além dos filmes de Thomas e Meirelles, previstos para estrear no segundo semestre, há também os novos trabalhos de Bruno Barreto, "Última Parada 174", sobre um sobrevivente de uma chacina no Rio de Janeiro, e de Walter Lima Jr., "Os Desafinados", com o astro Rodrigo Santoro no elenco.

CADÊ O PÚBLICO?

Tal otimismo, no entanto, acaba ofuscado quando o assunto é bilheteria. Afinal, com tantos filmes sendo produzidos no Brasil, era de se esperar um público em ritmo de crescimento.

Enquanto a produção saltou de três filmes em 1992 para 29 em 2003 e cerca de 80 em 2007, o público de tais filmes encolheu de 22 milhões de espectadores em 2003 para 10,3 milhões no ano passado, patamar que mantém desde 2005.

Para comparação, os filmes estrangeiros no Brasil tiveram 80 milhões de espectadores em 2007.

O diretor veterano Carlos Reichenbach diz que a dificuldade está em conseguir espaço nas salas de cinema devido à concorrência com estrangeiros e o preço dos ingressos.

"Nunca, em 40 e poucos anos de cinema, tivemos uma condição tão precária de exibição", disse Reichenbach, que lançou este ano "Falsa Loura". O filme de baixo-médio orçamento custou 3 milhões de reais, captados por meio de leis de incentivo, mas estreou em apenas nove salas de cinema.

Para um dos diretores da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Sérgio Sá Leilão, o cinema brasileiro vive "uma encruzilhada", com uma crise de superprodução.

"Nós temos uma ênfase na criação desvinculada do mercado, gerando grande número de produtos pouco competitivos", disse Sérgio.

O aumento na produção vem do investimento público dos últimos 15 anos. Segundo a Ancine, está prevista para a produção nacional este ano 210 milhões de reais através do sistema de incentivo. Ano passado, foram 137 milhões.

"É muito dinheiro, tem que ver onde está o erro", acredita Jorge Peregrino, vice-presidente da Paramount na América Latina e presidente do Sindicato de Distribuidores do Rio de Janeiro.

"Por que se o dinheiro vai aumentando, aumentando e a participação vai caindo? Tem alguma coisa errada."

PAÍS GRANDE, MERCADO PEQUENO

De fato, a Ancine trabalha para fazer o cinema andar com as próprias pernas. O órgão lançará um novo fundo que irá funcionar através de créditos e investimentos, e não com dinheiro a fundo perdido, característica das leis atuais.

O mercado brasileiro está entre os três maiores da América Latina, ao lado de México e Argentina, mas ainda é considerado pequeno para o tamanho de sua população. São 2.200 salas de cinema no total, ou uma sala para cada 90 mil habitantes.

Apesar das críticas, Peregrino acha que o cinema nacional vai ajudar a melhorar a bilheteria geral, que caiu de 91,2 milhões de espectadores em 2006 para 88,5 milhões em 2007.

Segundo ele, há três ou quatro filmes nacionais este ano com potencial para 1 ou 2 milhões de espectadores. "Essa diferença é importante porque quando o cinema brasileiro se comporta bem, o mercado como um todo sobe, é uma coisa histórica."

Em 2007, apenas dois filmes brasileiros romperam a barreira dos 2 milhões de espectadores, "A Grande Família -- O Filme" e "Tropa de Elite". Os demais não atingiram nem 1 milhão.

FERNANDA EZABELLA - REUTERS

domingo, 15 de junho de 2008

TV a cabo de graça no PC?

Depois do Napster e eMule, programas que revolucionaram o mercado fonográfico com o compartilhamento de músicas em formato mp3, e do Skype, que permite ligações internacionais de graça, chegou a vez de o software MegaCubo oferecer o conteúdo dos canais de televisão por assinatura gratuitamente via rede mundial de computadores.

Utilizando a a tecnologia “streaming” (transmissão contínua de conteúdo), o programa oferece um catálogo dos canais disponíveis. Após instalá-lo, o usuário simplesmente seleciona aquele que deseja assistir e pronto: faz do seu computador uma estação de televisão por assinatura.

Mas o que parece apenas mais um modismo na internet pode dar dor de cabeça ao mercado de tevê por assinatura – segmento que reúne 5,3 milhões de usuários no Brasil e movimentou R$ 6,7 bilhões em 2007, segundo dados da Associação Brasileira de Tevê por Assinatura (ABTA).

Na última semana, o MegaCubo figurou na primeira colocação do ranking dos programas mais baixados no superdownloads.com.br, site líder no segmento de downloads e softwares no Brasil. No período, o programa foi baixado 640 mil vezes. Considerando as três semanas em que está disponível neste site, já somam-se quase 1 milhão de downloads.

E isso pode representar apenas a ponta do iceberg, já que o número não contabiliza os usuários que baixaram o programa diretamente no site oficial do MegaCubo (megacubo.net). Mesmo sem estes dados, pode-se dizer que, em uma semana, o MegaCubo obteve 77% do crescimento médio anual de assinantes do setor de televisão por assinatura nos últimos cinco anos.

Mais na Gazeta on-line de hoje (15.06.08)


O Fim dos tempos de Shyamalan peca por sér óbvio demais


Sou suspeito para falar de M. Night Shyamalan. Seu trabalhos pós-Sexto Sentido revelam qualidades e sutilezas que acabaram não sendo captadas pela maioria do público e da crítica. A cada filme, esperavam que ele apresentasse um festival de sustos e um fim mirabolante. É como se o sucesso de O Sexto Sentido tivesse depositado uma maldição sobre os ombros do homem. E a cada filme, ele era mais malhado ainda.

Em Corpo Fechado, havia uma ironia no subtexto da história. E se entre nós houvesse um herói de verdade? Que não fosse criação só de HQs e do cinema? Sinais revelou a segurança do diretor ao lidar com ameaças que não são explicitadas como o público quer. A Vila é uma crítica ao estado de caos e violência que anda tomando conta da vida nos grandes centros.

E A Dama na Água? Este então foi o filme mais apedrejado do diretor. Parte da crítica esqueceu de ler nas entrelinhas do filme uma espécie de desconstrução do aparato imaginário que sustenta o próprio ato de contar histórias, sejam elas contas de fadas fantásticos ou filmes.

Toda esta enrolação é para chegar ao mais recete trabalho do diretor. The Happening, no Brasil, Fim dos Tempos.

A assinatura Shyamalan está ali, logo no começo. Talvez buscando-se redimir dos fiascos de bilheteria anteriores, talvez pressionado pelo estúdio ou sei lá o que, em menos de cinco minutos são apresentados os elementos que vão conduzir o filme.

Inexplicavelmente, pessoas começam a falar de forma estranha. Páram de caminhar em pleno Central Park. Algumas andam para trás. E mais inexplicavelmente ainda se matam.

Esta pressa em pedir desculpa ao público tem um preço alto mais adiante. O que captura a atenção no começo é desembrulhado depois de forma enrolada, travada, numa alternância de explicações científicas com dramas familiares de separação e a previsível luta pela sobrevivência.

É como se o diretor pilotasse um avião com o freio de mão puxado. Falta um pouco de ousadia, de criatividade.

O roteiro amarra um trecho didático, que atribui a um toxina liberada pelas plantas a onda de suicídios, à fuga empreendida pelo casal formado pelo professor Elliot (Mark Wahlberg) e Alma (Zooey Deschannel). Esta última tão insossa quanto sopa fria de chuchu. Ela é tão ruim que toda vez que ela aparece em cena o filme dá uma volta para trás.

Esta fórmula de manual é tão fechada que tira um pouco do suspense em torno da própria situação, do pânico instaurado entre a população, que imagina se tratar de um ataque terrorista.

O próprio final em aberto confirma a intenção do autor de lidar com medos reais ou imaginários, sem necessariamente ter que apelar para mosntros gerados por efeitos especiais. Neste ponto, ele faz uma leitura muito pessoal dos clichês de filmes de suspense, deixando para a imaginação do público a tarefa de sentir medo de algo que não rosto.

O problema é que o público parece não ter mais muita paciência para esta tipo de ousadia.

Supense ecológico? Filme-catástrofe com alerta ambiental? Drama de sobrevivência com ameaça invisível? Difícil encaixar este " acontecimento" em algum gênero.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Estudos neurocinematográficos

Neurocientistas da New York University comprovaram em um estudo recém-divulgado que certos filmes exercem enorme controle sobre a atividade cerebral e que seu impacto sobre os neurônios depende do conteúdo, da edição do estilo de direção. De certa forma, todos já sabíamos disso. Faltava a comprovação científica.

Grosso modo, o estudo funcionou assim, de acordo com matéria do site ScienceDaily: os cientistas fizeram ressonâncias magnéticas nos cérebros de um grupo de pessoas ao longo da exibição dos filmes e depois compararam os resultados para ver como eles estimularam as regiões do neocortex (responsável pela percepção e cognição). Foram usados quatro produtos audiovisuais no estudo: 30 minutos do faroeste “Três Homens em Conflito”, de Sergio Leone, um episódio da série “Bang! You’re Dead”, de Alfred Hitchcock, um episódio de “Curb Your Enthusiasm”, de Larry David, e uma tomada de 10 minutos, sem edição, de um show em Nova York.

Aqui vão os resultados: o episódio de Hitchcock provocou respostas similares de todos os pesquisados em mais de 65% do neocortex, indicando um alto nível de controle do cérebro dos espectadores; “Três Homens em Conflito” chegou a 45%; “Curb Your Enthusiasm” ficou em 18% e o clipe do show, 5%.

“O fato de Hitchcock ter sido capaz de orquestrar respostas de tantas regiões diferentes do cérebro, ligando e desligando-as no mesmo momento em todos os espectadores, pode servir como prova neurocientífica de sua famosa habilidade de manipular a mente da platéia. Hitchcock gostava de dizer a seus entrevistadores que, para ele, a criação é baseada em uma ciência exata das reações do público”, escreveram os pesquisadores.

Segundo eles, a pesquisa pode abrir caminho para um novo campo de conhecimento, que poderia ser batizado de “estudos neurocinematográficos” e ser usado por teóricos do cinema. Mas não duvido nada que a indústria cinematográfica se interesse pela pesquisa para controlar de vez a mente dos pobres espectadores.

Blog do Ricardo Calil

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Conteúdo - Curso CINEMA, HISTÓRIA, ARTE e ENTRETENIMENTO


PIONEIROS
Thomas Edison
Irmaõs Lumièrè
Meliés

NASCIMENTO DA LINGUAGEM
Griffith
O Nascimento de uma Nação
Intolerância

EXPRESSIONISMO ALEMÃO
O Gabinete do Dr. Caligari
Nosferatu

CONSTRUTIVISMO SOVIÉTICO
Pudovkin
A Mãe
Eisensten
Greve
Encouraçado Potemkim
Outubro

SURREALISMO
Bunuel
O Cão Andaluz

IMPRESSIONISMO
Paris que dorme
Napoleón

A REVOLUÇÃO DO SOM
The Jazz Singer
Cantando na Chuva
A Múmia
Inimigo Público

A ERA DE OURO DO CINEMA AMERICANO
Assim Estava Escrito
E o Vento Levou
O Mágico de Oz

CINEMA CLÁSSICO
Casablanca
As Pontes de Madison
Os Imperdoáveis

NEO-REALISMO
Ossessione
Roma Cidade Aberta
Ladrões de Bicicleta
Umberto D
Arroz Amargo

NOUVELLE VAGUE
Os Sonhadores
Acossado
Viver a Vida
Os Incompreendidos
Jules e Jim
Farenheint 451
Hiroshima meu amor
O Ano Passado em Marienbad

ORSON WELLES
Cidadão Kane
It´s All True
A Marca da Maldade
F for Fake

CINEMA MODERNO
L´Aventura
Blow Up
Persona
Gritos e Sussurros

CINEMA BRASILEIRO
Origens e pioneiros
Humberto Mauro
Chanchadas
Rio 40 Graus
Cinema Novo
Vidas Secas
Deus e o Diabo na Terra do Sol
Outras Vertentes
O Pagador de Promessas
Lance Maior
Dona Flor e seus Dois Maridos
Pornochanchada
Anos 70
By By Brasil
Cinema Contemporâneo
Carlota Joaquina
O Invasor
Cinema, Aspirinas e Urubus

ESTÉTICA DO FILME
Roteiro
Crespúsculo dos Deuses
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

Fotografia, Iluminação, Cor
Apocalypse Now
Cinzas no Paraíso
Moça com Brinco de Pérola

Trilha Sonora e som
Amor à Flor da Pele
Era uma vez no Oeste
Laranja Mecânica
Psicose

Montagem
Os Pássaros
O Jogador
2001
Requiem para um sonho

Oficina Inteligência do Ator com Fernando Klug no Festival de Inverno de Antonina

Inteligência de Ator
Uma abordagem prática da comunicação cênica, a partir da interpretação de textos cômicos e dramáticos. Desenvolver, através de exercícios de preparo e textos curtos, a verdade, a clareza e a precisão na interpretação cênica, cultivando a escolha crítica e as possibilidades criativas para construção da interpretação e da personagem.
Ministrante: Fernando Klug / PR
Ator, diretor teatral, professor de teatro e locutor. Graduado em Direção Teatral pela FAP-PR. Em 26 anos de carreira, atuou em peças e filmes, criou e dirigiu núcleos teatrais, dirigindo mais de 60 espetáculos. Ministrou cursos livres junto aos teatros Novelas Curitibanas, Cleon-Jacques, Cia do Abração e Barracão Encena, entre outros. Foi jurado do Troféu Gralha Azul e colabora com o Jornal do Estado, em Curitiba.

Número de vagas: 20
Data: de 7 a 11 de julho e 2008
Horário: das 14h00 às 18h00

Material do aluno: material para anotação; roupa confortável, estilo moleton; sapatilha (é possível fazer descalço); um lençol; uma bolinha macia (de borracha ou de tênis); água para consumo próprio.
Taxa de inscrição: R$ 35,00
A oficina abordará, como aquecimento, algumas técnicas que relacionam corpo, mente, emoção e voz. Extraídas ou influenciadas pela bioenergia, biodança, clown, giberisch, teoria grotowskiana e pela experiência pessoal do professor, poderão ser utilizadas pelos alunos após o curso.
O objetivo da oficina é despertar os alunos para:
- a percepção da natureza do Teatro e do fenômeno da interpretação, tomado aqui como "o que acontece quando alguém conduz outro alguém pelo caminho da ficção".
- a importância da dramaturgia do ator, ou seja, a parceria necessária deste com o autor.
É um curso para atores. Muito mais prático que teórico. Baseado no uso da palavra (texto escrito como ponto de partida). Não há tempo, infelizmente, para abordarmos a criação teatral via corpo, via subjetividade, nem a criação via improvisação. Os alunos escolherão alguns textos enviados, que deverão ser estudados e decorados.
Neste trabalho, conceitos como "respirar", "integrar", "verdade", fé" se integram com as idéias de "consciência", "sentir/dentro -ver/fora", "conduzir a personagem", "conduzir o espectador". Da consciência, passa-se a expressão. Consciência gera responsabilidade. Influências de Stanislavski, Brecht e Boal.
Inevitável abrir espaço para a descoberta pessoal (espaço interno). Afinal, saber como somos é fundamento constante. Mas pelo ator já ter, pela natureza de sua procura, boa dose de egocentrismo, a oficina enfocará exercícios de investigação do outro (do autor, do outro ator, do personagem... do espectador). Afinal, do ponto de vista do público, é sempre o outro (o personagem), e não nós, os atores, quem mais interessa.
Interpretar pode ser visto como construir ficção para apontar para a realidade. Ato de manipulação e ato de generosidade. Aqui, o ator é um criador: tem o prazer de descobrir, de testar, em lugar da obrigação de corresponder.
Consciência, entendimento e exercício constante, porém, são as raízes de todas as técnicas.
Apesar de jogos e exercicios de relacionamento e auto-conhecimento, a oficina é trabalho mais individual que coletivo. E exigirá certo grau de dedicação. Gostarei de ter, na sala, pessoas que queiram contribuir, generosamente, para o crescimento coletivo.

Escolhendo cinema como carreira

Jessica Candal Sato jamais imaginou que ao assistir um filme sobre a banda The Doors na tevê a cabo, ainda na adolescência, teria seu interesse pelo cinema despertado. Mas foi isso que aconteceu. A partir daí, tudo o que ela vivia sempre virava um “filme mental”. Outro fator decisivo e que a motivou na escolha da profissão foi uma matéria, como esta que você está lendo agora, que ela leu sobre a profissão.

“Eu sempre gostei muito de cinema e vi que isso poderia ser um trabalho”, conta Jessica, especialista em fotografia e roteiro, e que se formou em 2006 na Universidade de São Paulo (USP) no Curso Superior do Audiovisual (que até 1999 se chamava Cinema e Vídeo). No entanto, a vida do profissional de cinema exige muito trabalho e horas de dedicação, principalmente para quem faz produção de filme, com jornadas de no mínimo oito horas diárias no set de filmagem, inclusive nos fins de semana. Por outro lado, com a disseminação de equipamentos digitais, a produção de filmes teve seu custo barateado.

Na graduação, o aluno tem contato com disciplinas que oferecem todo o princípio de produção e reflexão do cinema, como a linguagem narrativa e todo o procedimento prático. “O profissional formado nesta área tem uma ampla gama de atuação, podendo trabalhar em todos os processos de comunicação audiovisual que abrange a crítica cinematográfica – para veículo de comunicação –, roteiro, programação de festivais e de canais de tevê, publicidade, televisão, rádio, produção, além do ensino na universidade e em cursos técnicos”, diz Eduardo Baggio, chefe do Departamento de Comunicação, responsável pelo Curso de Cinema e Vídeo da Faculdade de Artes do Paraná (FAP).

Uma realidade do mercado de trabalho é que muitos profissionais atuam como free-lancers. Segundo Jessica, é o mercado publicitário que oferece estabilidade na carreira. “Boa parte dos profissionais vai para a área publicitária para se manter e estar inserido no meio social. Já a produção de filmes sempre depende de editais. Aqui no Brasil não há uma indústria cinematográfica como existe nos Estados Unidos. Apenas alguns trabalhos dão retorno comercial. Cidade de Deus e Tropa de Elite, no meu ver, talvez sejam exemplos de filmes bem sucedidos”, diz Jessica, que atualmente dá aulas de linguagem audiovisual.

Durante o período da faculdade, Jessica teve a oportunidade de trabalhar como assistente de direção de arte em dois longas, inclusive do diretor paranaense Fernando Severo. No entanto, enfatiza o interesse que cada estudante deve ter pelo curso. “O pessoal que faz faculdade tem de aproveitar. Em cinema, a parte prática depende de cada um. É importante cada profissional saber aonde quer chegar. Eu estou num caminho interessante. Quero sempre trabalhar aliando produção e reflexão, e a educação me possibilita isso. Pretendo ainda fazer um longa-metragem, creio que esse é o sonho de boa parte dos profissionais”, afirma Jessica. Ela está produzindo o documentário Espelho de Ana, que retrata as condições da mulher na atualidade.

A profissão ainda não tem uma jornada de trabalho definida, nem sindicatos da classe que regulamentem o piso salarial. Atualmente existem apenas sindicatos que regulamentam a carga horária de trabalho dos técnicos que atuam na área. “Não é uma profissão como as tradicionais, que têm seus sindicatos, conselhos. A vantagem é poder fazer um trabalho que tem um pouco da sua personalidade”, completa Jessica.

Perfil

Faculdades

Somente a Faculdade de Artes do Paraná (FAP) oferece o curso de Cinema e Vídeo.

Remuneração Não existe piso salarial para os profissionais formados em Cinema. A remuneração varia de acordo com a função exercida. Um assistente pode receber em média um salário mínimo, enquanto um diretor de fotografia pode ser remunerado com R$ 3 mil.

Falso ou verdadeiro?

Todos os profissionais trabalham em grandes produções

Falso.

Nem todos os graduados em Cinema trabalham com produção de filmes para a telona. O profissional pode atuar como crítico, professor, com programação de festivais e de canais de televisão e produção publicitária.

São raros os empregos com carteira assinada

Verdadeiro.

É muito comum o profissional que atua com produção, principalmente de cinema, firmar contratos temporários, por projeto.

(Vestibular - Gazeta do Povo - Sandra Volf - 09/06/2008)


Quanto ganha quem trabalha em audiovisual?

Muita gente tem curiosidade para saber a remuneração das diversas atividades do audiovisual (produção cinematográfica, publicidade, etc).
No site do sindicine tem uma tabela com valores de referência para várias funções.

Olho Vivo seleciona estagiária

O Projeto Olho Vivo está selecionando uma estagiária.

Perfil:
Estagiária de administração cursando o 2º ou 3º ano, para trabalhos administrativos
rotineiros, cinco dias na semana.
Facilidade de comunicação, discrição, bons modos, cortesia, disponibilidade e boa
vontade serão diferenciais para aprovação da candidata.
Bom nível cultural e gosto por cinema, música e teatro também serão considerados.

mais no site do Olho Vivo

terça-feira, 10 de junho de 2008

Hollywood africana é a terceira maior indústria de cinema do mundo

Apesar das dificuldades econômicas, a Nigéria tornou-se o terceiro maior pólo cinematográfico do mundo - atrás apenas de Hollywood, nos Estados Unidos e de Bollywood, na Índia - com um faturamento de US$ 250 milhões ao ano.
A conquista surpreendente do país africano, que está entre os 30 mais pobres do mundo, recebeu o nome de Nollywood, um trocadilho com a famosa Hollywood criado pelos meios de comunicação locais.
Apesar de sua precariedade - os filmes são feitos com orçamentos baixíssimos - há algo a se aprender com Nollywood. Com a grande demanda, a Nigéria foi o primeiro país a aperfeiçoar as técnicas do cinema digital. A edição, por exemplo, é feita em computadores caseiros pelos mais de 300 cineastas que atuam em Lagos, com recursos de multimídia disponíveis em programas à venda em qualquer loja de informática no mundo.
Em freqüente ascensão, Nollywood tem dado resultados positivos: o país aprendeu a criar uma verdadeira onda de celebridades emergentes, mais conhecidas do que líderes políticos. Consegue, também, produzir cerca de 1200 filmes no período, números impressionantes se compararmos esses padrões a Hollywood, por exemplo, cuja marca recorde é 400 produções anuais.
A Nigéria só aprendeu a conquistar este espaço em 1992, quando o clássico Living in Bondage, do diretor Chris Obi Rapu, foi comercializado em camelôs e acabou vendendo mais de 750 mil cópias. A partir daí, usando o VHS, muitas produtoras resolveram fazer seus próprios filmes, que começaram tímidos e amadores, mas depois foram se mostrando verdadeiras receitas de sucesso.
Esse "destaque-relâ mpago" da indústria motivou dois documentários recentes, This is Nollywood, dos diretores Franco Sacchi e Robert Caputo, e Welcome to Nollywood, do californiano Jamie Meltzer.
O primeiro acompanha os bastidores do filme nigeriano Check Point, encomendado por apenas US$ 20 mil por uma produtora local. Já Welcome to Nollywood mostra o dia-a-dia de três cineastas nigerianos, que têm que lutar contra o tempo para finalizar seus filmes com baixo orçamento.
Em entrevista ao Terra, Meltzer disse que o que mais fascina na indústria é a rapidez com que as produções são feitas. "Eu queria saber como eles conseguiam fazer filmes extremamente bem-sucedidos e fascinantes em um período de tempo tão pequeno, com poucos fundos e recursos."
Inspiração para a independência
A viagem de Meltzer ao continente africano trouxe alguns resultados positivos. Além de se deparar com um ramo completamente formado - e que cada vez mais se consolida como atividade básica -, ele também abriu espaço para que a própria Nollywood fosse vista. Como grande parte dos filmes são recusados em festivais internacionais, com seu documentário, Meltzer pôde mostrar um pouco do "fazer arte" nigeriano, levando muito desta atenção para o país.
"Eu aprendi com os diretores de Nollywood que praticamente tudo é possível, desde que você tenha coragem de fazer acontecer com o que tem em mãos. É com essas circunstâncias que eles se encontram, não existe nenhuma desculpa para não se fazer filmes", explica.
Diante dos pequenos períodos de tempo, ninguém envolvido na produção tem uma real preocupação com cenários, figurinos específicos ou locações externas. Tudo é feito, em grande parte, no improviso, o que não parece incomodar seus espectadores.
"A Nigéria, relativamente pobre, é o único país que conseguiu nos mostrar uma forma realmente moderna de cinema digital. Tudo isso soa como algo positivo e moderno em relação à África, um antídoto para o que grande parte da mídia mundial divulga, esses estereótipos, que parecem reais. A África não é um continente feito de vítimas e tragédias e não pode ser reduzida a isso", dispara Meltzer.

Produtoras da Nigéria incentivam venda de filmes por camelôs
Embora seja vilã em potencial do país, a pirataria de filmes na Nigéria é reduzida graças a uma distribuição acelerada das produtoras. Atrás dos lucros, essas empresas enviam cópias originais de seus produtos para os camelôs, que os comercializam por, no máximo, US$ 5.
Com a falta de salas de cinema no país, distribuidoras correm contra o tempo para mandar seus lançamentos aos camelôs e grandes lojistas, em uma forma de comércio livre. A pirataria, porém, toma o controle assim que cópias informais são vendidas por um preço ainda menor pelos próprios vendedores ambulantes que comercializam os filmes originais.
Combatendo este mal, algumas emissoras de TV criaram canais exclusivos para a exibição destas produções. É o caso do AMC (African Movie Channel), que exibe filmes recém-lançados ou mesmo clássicos antigos, indisponíveis nas prateleiras. O sucesso das transmissões fez com que o canal ganhasse uma filial na Europa, por meio da TV paga.
"Eles estão mais interessados em atingir uma audiência que está dentro de casa. Funciona como uma alternativa contra o domínio que Hollywood e o cinema da Índia representam em todo o mundo", cita Jamie Meltzer, documentarista americano que produziu Welcome to Nollywood, um relato direto de três diretores nigerianos.
Recepção do lado de fora
Se a pirataria é a vilã de Nollywood, aqui do lado de fora não fica diferente. No continente americano, em países como o Brasil e Estados Unidos, a distribuição dos filmes é escassa. A pouca procura que se têm deles acontece por meio da Internet ou mercados ilegais, o que dificulta que eles sejam exportados com facilidade.
Poucos cineastas brasileiros conhecem o trabalho cinematográfico que se faz na Nigéria. O número de artigos a respeito do assunto na Internet é pequeno e se perde em cópias pouco explicativas.
A temática dos longas também pode assustar a um primeiro olhar. Um dos poucos sites, mundialmente conhecido, que disponibilizam este conteúdo é o You Tube, reunindo dezenas de trailers e imagens de bastidores.
"Para quem está aqui fora, é muito surpreendente entrar em contato com esses filmes. Eles rompem todos os estereótipos e mal-entendidos que envolvem a África", explica Meltzer.
Interesse geral
Assim como as novelas no Brasil, Nollywood abre a discussão pertinente de temas atuais, que tem alguma relação com seus espectadores.
Muitos filmes falam sobre a epidemia do HIV e de temas religiosos e crenças populares, como bruxaria e magia negra. O próprio Living in Bondage é um relato confuso sobre uma história de vodu.
"Os filmes e seus assuntos mudam completamente, em resposta ao mercado - o que funciona e o que não. Isso acontece por causa da grande massa cultural que existe por ali, uma massa que faz com que Nollywood seja seu maior produtor", acrescenta.
De 2000 para cá, alguns diretores passaram a investir mais em filmes de ação, usando armas e explosivos, nada relacionado aos avanços dos efeitos computadorizados.

Maior estrela da Nigéria ganha 600 vezes menos que Angelina Jolie
Em pouco mais de dez anos de sua ascensão, Nollywood já tem uma carteira de astros muito mais conhecidos e cultuados do que seus próprios líderes políticos. A nigeriana Genevieve NNaji é uma delas. Seus padrões financeiros, porém, não chegam perto de Angelina Jolie, maior musa de Hollywood da atualidade, ganhando 600 vezes menos que a americana.
Celebridade mais cultuada da Nigéria, Genevieve passa por constantes transformações. Aos 24 anos, a atriz tem sua vida exposta diariamente pelos jornais locais e possui centenas de comunidades na Internet, além de ser assunto freqüente em fóruns de fãs.
Para se ter uma idéia, o seu nome é obrigatoriamente o primeiro lugar em praticamente todos os sites de busca que estejam relacionados a Nollywood. E não é para menos.
Genevieve Nnaji tem, no currículo, mais de 80 filmes. Sua carreira no cinema começou cedo, em 1999, mas foi em 2002 que seu rosto estampou dezenas de capas de revista, especialmente depois de estrelar o romance Women Affair, que tornou-se item obrigatório dos camelôs, no centro da cidade de Lagos.
A atriz é o típico exemplo de quem tem a vida comandada pela mídia local, mostrando que isso não é exclusividade das celebridades americanas. Com a carreira em ascensão, Genevieve sofre as conseqüências de viver em Lagos e ter que se esconder para andar nas ruas.
Em recente entrevista, ela disse que teve que mudar seu telefone seis vezes, três apenas em 2006, e que já não sai mais com sua filha pela exposição que ela pode sofrer.
Nos últimos anos, Genevieve foi alvo de críticas disparadas à sua personalidade. Jornais e sites locais afirmavam que ela não respondia à altura de seus fãs e que evitava a presença de fotógrafos e imprensa em qualquer lugar que fosse.
Crescer em um local em que era tão popular parece ter incomodado Genevieve. Ela já declarou, diversas vezes, que pretende deixar a Nigéria por um tempo, de modo que possa viver como uma pessoa comum.
O preço da alta exposição na indústria cinematográfica da Nigéria, porém, é muito longe do que as celebridades de Hollywood pagam.
Longe de receber os valores milionários de estrelas como Angelina Jolie e Nicole Kidman, com cachês que giram em torno de US$ 12 milhões, Genevieve ganha no máximo US$ 20 mil por filme. Para se ter uma idéia, seu maior salário foi quando fechou um contrato publicitário com a marca de sabonetes Lux, tornando-se protagonista da campanha.
Sua própria ascensão como atriz aconteceu por acaso. A moça não completou os estudos básicos e foi descoberta ocasionalmente por produtores da cidade de Lagos. É assim que grande parte dos atores e atrizes da região conseguem crescer na carreira. Como o salário e as condições de vida na Nigéria são baixas, segundo a ONU, a grande esperança dos jovens é mostrar seus rostos nas telas da TV.
Em Nollywood, quanto mais jovem se é, mais valor se dá ao seu trabalho. É o caso das atrizes Ebbe Bassey e Ibinabo Fiberesima, estrelas de uma série de filmes românticos e com temática mais adolescente, alvo principal dos muçulmanos que moram na região da Nigéria e alguns cristãos ortodoxos.
A atriz não mostra que se abala com esse tipo de crítica. "Se isso os incomoda tanto, eles deveriam parar de assistir. Ninguém pode dizer se estou próxima ou não de Deus. Foi ele que me deu todo esse sucesso", dispara.
Apesar de Nollywood ser o terceiro maior pólo cinematográfico, muitos artistas nigerianos sonham em fazer carreira internacional. O rapper e ator Ramsey Nouah é um caso plausível. Mais conhecido do que o presidente da Nigéria, como foi publicado anteriormente em uma matéria do The Independent, Nouah rumou para os Estados Unidos no ano passado, onde tentou uma carreira artística.
A viagem tornou-se um verdadeiro tormento para o ator, que não conseguiu papel em nenhum filme e ainda não teve quem o ajudasse na dura tarefa de levantar sua carreira musical. Enquanto isso, na Nigéria, suas convenções com o público aumentam cada vez mais, assim como sua popularidade nos filmes da indústria. O caso típico de um ramo que cresceu assustadoramente, mas não tem seu devido reconhecimento no resto do mundo.

Um filme de pancadaria para bancar outro?

O sujeito encontrou uma forma de levantar recursos para o filme seguinte: fez um filme de baixo custo, com pancadaria e sangue, envolvendo lutas dentro de uma piscina.

Quer vender no exterior e conseguir bancar o próximo projeto, que será sobre síndrome de Down.

Será que dá certo?

Mais no G1

Polo de cinema em SP - e por aqui?

Cidade paulista movimenta economia local com polo cinematográfico.

Não seria o caso de um projeto nesta linha por aqui, já que a cidade tem um curso superior de cinema e está formando gente qualificada?

leia o texto no Caderno G da Gazeta de hoje

segunda-feira, 9 de junho de 2008

O beijo roubado (?) de Wong Kar Wai



Não tinha como dar errado. Um ano após ser premiado em Cannes, chega a Curitiba Um Beijo Roubado, tradução infeliz (como a maioria) para o último longa do diretor chinês Wong Kar Wai. Digo não tinha como dar errado porque, em seu primeiro filme americano, o homem consegiu escalar Natalie Portman, Rachel Weiz, Jude Law, David Strathairn para contar uma fábula contemporânea de solidão, encontros e desecontros.
Como se não bastasse, convenceu Nora Jones a ser a protagonista, numa espécie de personagem que presencia e toca as vidas (tumultuadas e dolorosas) dos tipos humanos representados pelo elenco afinadíssimo, que reúne alguns dos melhores atores em atividade.
Um filme de Wong Kar Wai é um filme de Wong Kar Wai. O estilo do diretor é presente no cuidado com o visual, com os jogos de cores, na composição dos planos. Ele não gosta de imagem limpinha: sempre que pode posiona a câmera atrás de alguma parede, janela. Usa a transparência de vitrines para criar algo como um obstáculo visual, prefere o fofo e fora de foco como impedimentos para a comunicação plena entre seus personagens.
O que seria um drama mais ou menos batido de homens e mulheres frustrados com amor e desamor, nas mãos do diretor torna-se um jogo policromático de ritmos interiores, desencantos assumidos e buscas sem objetivos.
Nora é a personagem que costura as relações deste jogo. Ela busca algum consolo nas noites regadas a conversa e tortas de amora (daí o título original, My Blueberru Nights, o que, convenhamos, em portugues seria igualmente imbecil...Minhas Noites de Amora) no resturante de Jude Law.
Daí ela viaja para esquecer o passado, ganha uns trocados numa espelunca onde conhece um policial (David) alcoolatra, obcecado pela ex-mulher (Weiz, mais linda que nunca) . Portman, uma apostadora ousada com problemas de relacionamento familiar, fecha este círculo de gente solitária, que não consegue se entender e entender a quem ama.
Este road-movie afetivo é pontuado por uma trilha que tem, obvimante, canções da própria Nora Jones.
Só acrescentaria um porém: o personagem de David Strathairn (eta nome dificil...) poderia ser mais explorado no filme. Mas não quero contar...
Quem acompanha o chinês (Amor a Flor da Pele talvez seja o filme mais conhecido dele por aqui) já sabe que pode esperar um filme bastante pessoal, intenso e honesto. O amor , diz o diretor, não é para principiantes. Mas deve sempre ser tentado.