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sábado, 13 de março de 2010

O Napoleão que Kubrick não filmou

O bilhete, datilografado com rasuras num papel não timbrado, listava uma dezena de argumentos. O terceiro deles dizia: "Espero realizar o melhor filme jamais feito." Era 20 de outubro de 1971 e pela última vez Stanley Kubrick (1928-1999) tentava convencer os estúdios MGM a bancar Napoleão, fita de três horas que planejava dirigir sobre o imperador francês. Àquela altura, ele já desconfiava de que era enorme a chance de o longa, de fato, jamais ser feito.

Embora o ambicioso projeto não tenha se concretizado, seus arquivos foram mantidos no espólio do diretor em Hertfordshire, Inglaterra. Por anos, admiradores puderam ler textos sobre o assunto e até uma versão do roteiro, de 1969 - que se acha numa busca no Google por "Napoleon", "Kubrick" e "script". Mas só agora a maior parte dos documentos se tornou pública, com o lançamento, no fim do ano passado, de uma edição limitada de luxo da Taschen, Stanley Kubrick"s Napoleon - The Greatest Movie Never Made.

Composta por uma caixa com dez livros e vendida a US$ 700, a série de mil unidades esgotou-se em um mês. Pela Amazon, é possível encontrar três cópias de segunda mão, com preços entre US$ 2 mil e US$ 5 mil. O volume inclui um fac-símile da última versão do roteiro anotada pelo diretor, cartas para envolvidos na produção, estudos de figurino, fotos de locação e análises de estudiosos.

A opulência do título condiz com o fôlego do projeto. Em dois anos de pesquisa, Kubrick reuniu 15 mil fotos de locações e 17 mil imagens do período de 1769 a 1830. Criou um selo com o símbolo da MGM e a letra N só para usar na correspondência sobre o filme. O roteiro abarcava nada menos que toda a vida do francês, começando e terminando com ele na cama - a primeira vez aos 4 anos, agarrado a um urso de pelúcia, a última aos 51, à beira da morte.

"Kubrick dedicou-se mais a esse projeto que a qualquer outro que tenha chegado a realizar", diz ao Estado, de Londres, Jan Harlan, cunhado de Kubrick e produtor executivo de seus filmes a partir de Barry Lindon - Napoleão seria o primeiro. Uma afirmação e tanto, dada a conhecida obstinação do diretor.

A pesquisa começou em 1967, durante a pós-produção de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Kubrick leu aquela que se tornaria sua maior fonte, a biografia lançada em 1963 por Felix Markham, e fez inúmeras anotações nas margens. Já era a base do roteiro. O cineasta relacionava perguntas: "Ele era supersticioso? Tinha senso de humor? Bebia muito? Comia muito? Lia muito? Era bom de conversa?". Para sorte dele, e talvez azar do biógrafo, foi possível levantartais dúvidas em exaustivas conversas ao vivo, cujas transcrições estão no volume da Taschen. Os questionamentos são tão detalhados que fazem o principal biógrafo do imperador parecer, às vezes, despreparado - como quando Kubrick tenta arrancar dele uma conversão de valores para saber quanto Napoleão teria em dinheiro hoje. "Oh, Deus, isso é muito difícil", desabafa Markham.

Leia o texto completo no estadão.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Imagens do passado e música ao vivo no Teatro da Caixa

Belo e emocionante o espetáculo Cine Re-Sonar, apresentado no último fim de semana no teatro da Caixa. Imagens antigas, de Curitiba nas primeiras décadas do século, projetadas em uma tela com trila sonora executada ao vivo (atrás da tela) em arranjos para violino, teclado, violoncelo, violao, guiterra e percussão.
Até o final dos anos 30 quase todas as exibições tinham alguma forma de acompanhamento musical. Aqui mesmo em Curitiba o pioneiro Aníbal Requião - que em 1908 abre o Cine Smart, primeira sala com programação diária de filmes - acompanhava as imagens ao piano ou ao oboé.
Há muitos anos atrás tive a oportunidade de acompanhar a projeção de Nosferatu (nao tenho certeza absoluta se era este filme...) no finado Cine Ritz, com a trilha intepretada ao vivo por um pianista alemão e uma senhora que ia traduzindo os letreiros. Era uma promoção do Goethe, acho. Experiência marcante, sala lotada, na época ainda se ia muito aos cinemas de rua, se camainhava tranquiloamente pelo calçadão da XV, falando sobre o filme e decidindo em quel bar tomar a próxima cerveja.
O espetáculo de sabado, iniciativa do músico Vadeco, me fez lembrar estes tempos. As peças compostas pareciam dar vida a todas aquelas pessoas na tela. Todas já mortas há muito tempo, mas que pela magia do cinema voltaram a viver por alguns instantes.

domingo, 22 de novembro de 2009

Mysterios é ode a Curitiba, ao cinema e aos pesadelos

Acabei me alongando demais no post anterior, mas a intenção era tratar do filme em si. Mysterios narra três contos, tendo como fio condutor justamente o mistério. No primeiro deles, uma moça desaparece ao dar uma volta no trem-fantasma do Parque Alvorada. Dos três segmentos, foi o que mais gostei. Tem um clima de nostalgia inocente do final dos anos 60, mais precisamente na mesma semana em que o homem pisa na lua. O tratamento visual e sonoro é impecável - uma marca que por sinal se mantém durante todo o filme. O Passeio Público com seus vendedores de mação do amor, o lambe-lambe interpretado pelo Hugo Mengarelli, a trilha pop-brega com "Se Deus Me Ouvisse", tudo remete a um tempo mais tranquilo, com menos correria, mais esponteneidade e simplicidade. Mas a intenção do filme nao é apenas recriar uma Curitiba que se perdeu. É partir desta cidade que o tempo esqueceu - quem lembra do divetido trem-fantasma do Alvorada? - que o filme mergulha no desaparecimento da garota. Em tempos de ditadura, a crônica policial explorou à exaustão este sumiço, o que permite ao filme um tratamento gráfico e sonoro bem modern, inserindo trechos de manchetes de jornais, imagens de livros antigos e narrações radiofônicas.
O segundo segmento trata da descoberta de fragmentos de um filme dos anos 20 em um galinheiro. Pouco se salva da fita erótica, pouco se sabe de seu realizador. É uma baita homenagem aos pioneiros do cinema paranaense, Anibal Requião e Joao Batista Groff, citados no trecho. A fotografia em PB consegue criar com riqueza de detalhes os trechos da fita danifica e direção de arte segura e inventiva traduz o clima erótico em torno de um grupo de belas jovens seminuas filmadas por um anônimo na provinciana Curitiba dos anso 20.
O terceiro segmento é o mais surreal dos três. Em um espetáculo de mágica, a assistente do ilusionista se fere durante a apresentação. Dizer isso nao siginifca nada. É o mesmo que citar sinopse em filme de David Lynch, cujo visual de pesadelo parece ter sido a fonte na qual beberam os realizadores do filme.
Os três contos são costurados pela presença de um narrador, interpretado por Carlos Vereza, que ora se limita a tentar interpretar o que vê, ora participa mais ativamente das situações.
É uma produção de um capricho especial na imagem e no som, que mostra a maturidade e a originalidade do cinema feito atualmente em Curitiba, que parece estar trilhando um caminho muito rico e pessoal, sem embarcar na fórmula do drama social de viés urbano - dominante nas produções paulistas e cariocas.
O trabalho dos diretores Beto Carminatti e Pedro Merege é sólido, ousado, detalhista e consegue explorar com habilidade a idéia de que o desconhecido, o estranho, o que nao se vê está mais presente na realidade do que a gente imagina. Mysterios é um exercício de sutilezas visuais e sonoras, uma homenagem a uma Curitiba perdida, uma ode ao cinema dos pioneiros e anônimos e um belo pesadelo em cores fortes.
Avisem os amigos , corram ver. Está no Crystal Arteplex.

Mysterios nos cinemas e o drama do filme nacional

Alertado pela querida Monica Rischbieter, fui assistir Mysterios, produção curitibana inspirada na obra O Mez da Gripe, de Valêncio Xavier. Estava ansioso pela estréia no circuito , o que aconteceu na última terça, mas só foi possível assistir no sábado. Como são gritantes os contrastes da vida e cinematográficos. No último sábado, passando no Estação, vi de perto a euforia teen com Lua Nova: nas sessões da tarde, as filas quase alcançavam a saída da Sete de Setembro.
À noite, do Arteplex do Crystal, eu e mais quatro pessoas na sessão das 21h30 para conferir Mysterios, um bom filme com elenco e equipe técnica aqui da terra. Não que me assuste uma sala quase vazia - sendo bem egoísta, ate prefiro assim, optando sempre pelas salas do Crystal e Novo Batel, o que é ótimo para um cinéfilo e péssimo para o exibidor. Cansei de ver filmes com 3, 2 ou sozinho mesmo - fora o projecionista. Filme nacional então, se nao tem o apelo básico (comédia + rostos da novela das oito) nao passa de dez, 12, pessoas por sessão. Isso, cá entre nós, contando com a saturação do ciclo de violência urbana, que arrebatou multidões com Cidade de Deus e Carandiru e hoje aposta em Salve Geral, que inclusive deve representar o Brasil no oscar de fita estrangeira. Nao vi números do Salve, mas por aqui assou bem em branco. Na sessão em que estive, menos de 1o pessoas em um domingo á noite, véspera de feriado. Nao é sequer o caso de tratar do filme em si, que tem seus problemas ao abordar os ataques do PCC do ponto de vista de quem os fomentou, com todo um discurso sociológico questionável, mas de pensar um pouco na dificuldade danada que o filme nacional enfrenta no circuitão.
Bom, fiz toda essa volta, mas queria mesmo falar do Mysterios. A Monica, uma das produtoras e roteiristas do filme, me avisa toda empolgada da estréia no Crystal, circuito que mantém a tradição de equilibrar títulos mais comerciais com obras alternativas, graças ao espírito do Adhemar Oliveira, que vive abrindo espaço nas salas que o Unibanco Arteplex tem em várias capitais para filmes nao-americanos e títulos nacionais sem estrutura forte de distribuição. É o sujeito que atende o cineasta guerreiro, aquele que marca um encontro com a lata de seu filme debaixo do braço e precisa de um espaço para fazer circular sua arte.
Conhecendo a sensibilidade, a inteligência, o entusiasmo e o bom humor da Monica Rischibieter, não creio que deve ter sido muito difícil para ele abrir uma sala para Mysterios aqui na capital. É um chute, pois desconheço os detalhes da estratégia de distribuição do filme, como ele será divulgado, se o boca a boca vai ser forte o suficiente para sustentar a virada na próxima sexta. Espero que sim
(continuo no post seguinte)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Cinemas de rua em Curitiba - procura-se

Procuro pessoas que trabalharam em cinemas de rua em Curitiba: donos, gerentes, projecionistas, lanterninhas, atendentes de bomboniére. É para uma pesquisa que estou fazendo.
Mas só vale cinemas de rua, de shopping nao vale.
Se souberem de alguém, por favor me avisem no
alfekur@terra.com.br

Obrigado!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Clube do filme mostra educação pelo cinema

Estou lendo O CLUBE DO FILME, do canadense David Gilmour.
Resumo: Adolescente de 16 anos não quer mais ir à escola e o comprreensivo e amoroso pai permite que ele abandone os estudos, com uma condição: que assista três filmes por semana e que pense sobre o que viu.

Como literatura é dispensável, mas é divertido ao explorar as tentativas de um pai educar seu filho pelos filmes. Antes de cada exibição, o pai - o próprio autor, que é crítico de cinema) dá uma breve explicação sobre o diretor, a obra e destaca um momento a ser visto com mais atenção no filme.

Há comentários muito divertidos e curiosos sobre filmes, cineastas, atores e atrizes. E é muito comovente oservar os gestos de carinho, a atenção e a paciência que o pai devota ao filho, um meninão entediado com quase tudo à sua volta.

A educação do jovem conta com discussões em torno de títulos como Os Incompreendidos, Assim Caminha a Humanidade, O Iluminado e Instinto Selvagem.

O mais tocante na obra é o que ela deixa transparecer do imenso poder emanado dos filmes, que conseguem emocionar, fazer rir, chorar e pensar, ao oferecer retratos tão diversos e complexos do ser humano.

Uma educação afetiva que, se não susbstitui a educação formal, tem um impacto profundo na mente confusa de um adolescente, sobretudo com filmes apresentados e comentados com tanta paixão.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Como produzir um filme barato

"Olá. Meu nome é Marc Price, tenho 30 anos, e sou o diretor de COLIN. Vou tentar explicar para vocês como eu cheguei até aqui com um filme de apenas US$ 70. A sinopse é mais ou menos assim: um sujeito, o Colin, um dia é mordido por um zumbi e morre. Mas, aí, ele volta dos mortos. E começa a arrastar a sua carcaça por uma cidadezinha durante o apocalipse promovido pelos mortos-vivos...

Com essa história eu fui ao Festival de Cannes. Quer dizer: eu vi Cannes, mas Cannes não me viu. No dia em que meu primeiro longa teve sua exibição, exatamente uma semana depois do meu aniversário, eu estava com vergonha demais para encarar o público. COLIN tinha sido feito de forma caseira, improvisada, com atores e figurantes que não cobraram nada, com maquiagem emprestada e duas câmeras velhas. E custou... US$70. Então, enquanto um monte de gente assistia ao meu filme barato de monstros, eu estava num boteco ali perto. Mas a resposta do público e da crítica às duas sessões foi fantástica, inacreditável. A minha agente de vendas não me deu, e acho que nem vai me dar, muitas informações ? ela sabe que eu não sou muito confiável quando o assunto é manter segredos. Sei que uma porção de distribuidores viu o longa, e as negociações estão rolando. Recebemos uma proposta do Japão. E sabe como essa história toda começou? Com um porre...


Continua em

GALILEU

domingo, 28 de junho de 2009

Passos para quem sai da faculdade de cinema

Procuro uma história genial. Quando se sai de uma faculdade de cinema nao se tem muitas opções sabe? Enquanto isso eu tenho que trabalhar. e meus pais ainda pudessem me sustentar até os 30, talvez eu tivesse tempo para char uma história genial.

Assim começa o divertido curta MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE UM EDITOR DE PASSOS, de Daniel Turini. Obrigatório para quem pretende estudar ou está estudando Cinema.

Pode ser visto no Porta Curtas ou no Youtube, em duas partes.

Zorba o Grego, Fellini, o sonho e Neil Gaiman





Apenas um ano separa Oito e Meio de Zorba o Grego.

O primeiro é de 1963, o segundo do ano seguinte.

Não seria de todo errado supor que o filme de Fellini, com aquele final espetacular do circo, quando ele nos diz que nada mais nos resta a não ser entrar no picadeiro e continuar, fosse um sonho.

E que este sonho, no misterioso universo onírico, se conectou a outro sonho, este de Cacoyannis, que em seu desfecho sublime trata desta idéia de que nada mais pode ser feito a não ser seguir adiante, viver, só que agora, dançando.

Uma travessura dessas, de um sonho antecipando outro, tem toda a cara de universo Neil Gaiman.

Jules Dassin e Telecine - brilhante e pouco visto




O Telecine Cult (que um dia já foi Classic e era, convenhamos, bem melhor que hoje) exibiu quatro filmes da fase européia do diretor Jules Dassin, mais conhecido por Cidade Nua, do final dos anos 40.

Ex-assistente de Hitchcok, Dassin era filiado ao Partido Comunista Americano mas se afastou dos camaradas depois das revelações dos crimes do stalinismo. De tanto encherem seu saco na caça às bruxas macartista, acabou saindo dos Estados Unidos.

São de seu exílio europeu os filmes exibidos em junho. Aquele que Deve Morrer é adaptado de Kazantizakis (autor do polêmico livro levado as telas por Scorsese, A Última Tentação de Cristo. Quando o vi no finado Cine Itália, ali no shopping com o mesmo nome, na saída duas freiras distribuíam panfletos com frases como "Não tenha nada a ver com este filme, blasfêmia, etc).

Continuando, Aquele que deve morrer é o melhor dos quatro. Uma aldeia grega chefiada por um bispo conservador vai encenar a Paixão de Cristo para a Semana Santa. O problema é que habitantes de outro vilarejo, expulsos pelos turcos, aparecem famintos e desesperados na aldeia.

Está armado o cenário para Dassin, sobre o texto de Kazantizakis, tratar da hipocrisia humana e de como o poder se sustenta com base na tradição, na exploração dos mais fracos e na interpretação equivocada das escrituras.

Dassin tem uma sensibilidade especial para dirigir seus atores, para criar cenas de grupo com intensa movimentação de atores e sobretudo, para armar seus planos de forma econômica, funcional e original.

E sobretudo sabe valorizar o talento e os belos olhos de sua esposa, Melinda Mercouri, que foi Ministra da Cultura da Grécia. Ela está em Aquele que deve morrer e nos outros filmes.

Nunca aos Domingos mostra a paixao pelo cineasta pela cultura grega. Uma prostituta que só tem relações com quem quer, é adorada pela cidade pelo seu jeito simples e alegre. Um turista americano ( o próprio Dassin, que bem poderia ser o quarto integrante dos Três Patetas, pelo seu tipo desengonçado e cômico) quer transformá-la em uma mulher culta. É um filme ousado, libertário, divertido, que constrasta a chamada alta cultura com o estilo de vida voltado para o presente, epicurista mesmo.

A mitologia grega levou Dassin e atualizar Fedra, a trágica narrativa da mulher mais velha, segunda esposa de seu marido, que se apaixona pelo filho dele, mais jovem. Em Profanações, o pano de fundo é a indústria naval grega dos anos 50. O rapaz é Anthony Perkins, o filho-mãe (aiaiaiaiaa, contei...quem mandou nao ver Psicose????) da obra suprema de Hitchcok.

O mais fraquinho dos quatro títulos, mas nao menos divertido, é Topkapi, sobre um plano mirabolante para roubar uma jóia preciosa em um museu turco. Pelo menos aqui dá para ver Melinda, a mulher de Dassin, em cores.

Jules Dassin, pouquíssimo visto, pouquíssimo conhecido. Grande sujeito, morreu em março do ano passado.

Katyn aponta o dedo para massacre soviético na guerra




O cinema americano contribuiu para moldar o imaginário ocidental sobre a Segunda Guerra Mundial produzindo dezenas de filmes sobre o Holocausto, revelando em algumas produções como A Lista de Schindler e O Pianista os horrores cometidos pelos nazistas.

Pouco ou nada se fez sobre os soviéticos, parceiros dos nazistas em crueldade e barbárie. Coube ao cineasta Andrzej Wajda tocar em uma ferida ainda aberta daquela época, o estúpido e incompreensível massacre das florestas de KATYN, que dá título ao filme em cartaz nos cinemas daqui.

Resumindo, no auge do conflito, por ordens de Stálin, o exército soviético simplesmente prende e mata milhares de oficiais e intelectuais poloneses. Na ótica do ditador, que ainda hoje é admirado por alguns, eliminar o comando militar e a força pensante do país era garantia de que a Polônia não terias forças para resistir à ocupação soviética.

O pai de Wajda foi uma das vítimas dos massacres. Tão abominável quanto o fuzilamento com uma bala na nuca e o enterro em valas coletivas foi a estratégia dos exército soviético, que durante anos jogou a responsabilidade dos assassinatos nas costas do alemães.

Wajda tratou de dar vida a esta ferida, acompanhando, pelos olhos da esposa de um oficial polonês, os caminhos tortuosos que os massacres de Katyn abriram no país. Seu filme é não-linear e nada espetacular.

Vai e volta no tempo para mostrar o impacto na vida de cada pessoa afetada direta ou indiretamente pelos massacres. Equilibra estes momentos de grande impacto - a produção é impecável - com a tentativa da população de retomar uma rotina normal após a guerra. Nada se podia falar sobre o episódio, sob pena de prisão e fuzilamento por parte dos soviéticos.

Ao dividir a observação e o sofrimento dos seus personagens perante o fato e a versão fabricada do fato, Wajda se afasta do espetáculo de imagens chocantes ( sim, elas estão lá, mas a serviço de uma proposta muito maior que a simples denúncia) e cria um painel sobre a história (com H) e a memória. E com segurança, entrelaça as duas para reforçar a velha e batida idéia de que a história é sempre contada pelos vencedores. Mas á margem da História também é feita de maldades indescritíveis. Wajda exorcizou as suas.

Assista ao trailer de Katyn

A Partida mostra a morte para celebrar a vida




Apresentada a um produtor, destes habituados a contar montanhas de dinheiro com alguma coisa 2,3, 4 após o nome do filme, tinha tudo para dar errado. Quem seria louco de transformar em filme a rotina de um sujeito que prepara cadáveres? E quem seria louco de criar várias cenas que mostram corpos e familiares chorando, em um momento no qual os filmes gritam cada vez mais bobagens superficiais - sob o pretexto de alegrar e entreter - para disputar a atenção anestesiada do público?

Sorte que o roteirista Kundo Koyama e o diretor Yojirô Takita estavam longe de Hollywood.

Juntos criaram um dos filmes mais bonitos desta temporada, A PARTIDA, que ehcgou aos cinemas daqui respaldado pelo Oscar de Filme Entrangeiro deste ano. Prêmio que era dado como certo ao espetacular e infelizmente ainda não exibido VALSA PARA BASHIR.

Bonito porque sensível e simples. Conduzido à maneira clássica, com suas viradas bem marcadas e costuradas, de forma a ser bem assimilado, o filme aborda a morte para, no fundo, celebrar a vida.

Seu protagonista, Daigo, um músico desempregado, aceita o úncio emprego disponível em sua cidade natal, o de assistente na preparação de corpos.

Superado o medo, o asco e a vergonha, ele encontra um profundo sentido em sua profissão. O filme revela como a sociedade japonesa, mesmo a contemporânea, profundamente ocidentalizada, ainda tem uma relação unica com os ritos de passagem.

É da observação das cerimônias, das reações de familiares e do aprendizado em lidar com o morto e com a morte que o filme consegue tirar momentos de rara sensibilidade. Um dos mais marcantes é quando o músico , agora agente funerário, retorna de seu primeiro trabalho e abraça desesperadamente o ventre de sua jovem esposa. A cena tao simples mostra o instante exato em que a vida, a pele, o cheiro, o vivo precisa se antepor e vencer o morto, o velho, o podre.

O roteiro amarra ainda um conflito familiar com o pai ausente de Daigo, figura que é temporariamente suprida pelo seu chefe na funerária. Assim segue o filme, acompanhando, com momentos cômicos e emocionantes, a labuta de Daigo, seu chefe (pai) sua jovem e bela esposa, seus amigos de infância.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Penélope...loira...




Penélope Cruz no novo filme de Almodóvar, Los Abrazos Rotos.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Filme é lançado nos cinemas e no YouTube ao mesmo tempo

O site de vídeos YouTube, que pertence ao Google, vai exibir o
primeiro filme que terá lançamentos simultâneos nos cinemas e na web.
Estreia nas telas de cinema de 50 países e nos computadores de todo o
mundo o filme "Home", do cineasta Luc Besson.
A parceria do Google com estúdios de Hollywood visa atrair grandes anunciantes
e obter lucro para o YouTube.
O site, que foi comprado pelo gigante de buscas na
internet em 2006 por US$ 1,65 bilhão, tem cerca de 350 milhões de
visitantes únicos por mês, mas ainda não encontrou um equilíbrio
financeiro.
A exibição de filmes em salas virtuais é ainda uma
tentativa dos grandes estúdios de driblar a queda na venda de DVDs e o
aumento de downloads ilegais de filmes.

sábado, 6 de junho de 2009

Os Falsários e o ótimo cinema alemão

Meu texto sobre OS FALSÁRIOS saiu na edição de ontem do Jornal do Estado (impressa) e no portal BEM PARANÁ.

Aproveito a estréia tardia do filme para comentar sobre o nosso circuito e a ótima safra de filmes alemães do últimos anos.

O texto está disponível no portal Bem Paraná

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Cinema argentino em cartaz na Cinemateca

De 23 a 30 de maio acontece a Semana Ficção Viva do Cinema Argentino, que reúne mostra de filmes, encontros e workshops com cineastas daquele país.
O evento, promovido pelo Projeto Olho Vivo, tem patrocínio da Petrobras e parceria com o Consulado da Argentina e Fundação Cultural de Curitiba.
Mesmo não sendo possível falar categoricamente de um “novo cinema argentino”, já que se trata de um conjunto bastante heterogêneo, é fato que essa nova safra de filmes tem chamado a atenção da crítica e do público em festivais pelo mundo pela qualidade de suas produções e pelo talento de seus realizadores.
As discussões sobre o tema iniciam neste sábado (23), às 20h, com o 5º Encontro Ficção Viva, que tem como convidado o diretor Carlos Sorín, um dos nomes de peso dessa nova geração.
Com um viés essencialmente humano, os personagens dos filmes de Sorín são inspirados em gente comum e interpretados por atores não profissionais “para conseguir personagens com credibilidade”, segundo o diretor.
Obras como “La Película del Rey” (1986), “Histórias Mínimas” (2002) e “O Cachorro” (2004) levaram as paisagens e as histórias do sul argentino ao público de todo o mundo e ganharam prêmios em vários festivais importantes, como o Leão de Prata em Veneza e o Goya de melhor filme estrangeiro.
Na ocasião, será exibido o último filme de Sorín, intitulado “A Janela”, ainda inédito na capital paranaense. O filme mostra as horas finais de um escritor de 80 anos, Antonio (Antonio Larreta), aguardando a visita de seu filho em sua fazenda no norte da Patagônia.
O 5º Encontro Ficção Viva é gratuito e inclui bate-papo com o diretor Sorín, que também comanda um workshop sobre direção cinematográfica, no sábado e no domingo (23 e 24), na Cinemateca, com vagas limitadas.
As inscrições e informações sobre o investimento para o workshop podem ser obtidas no site www.projetoolhovivo.com.br.
Durante a semana de 25 a 29 de maio, sempre às 16h e às 20h, ainda na Cinemateca, exibição da mostra de filmes de diretores argentinos, igualmente gratuita.
Na relação de cineastas participantes estão Sorín, Daniel Burman, Rodrigo Moreno e Alejandro Agresti, com os filmes “O Caminho de San Diego”, “O Cachorro”, “O Guardião”, “As Leis de Família”, “O Abraço Partido”, “Um Mundo Menos Pior”, “Histórias Mínimas” e “Buenos Aires Vice Versa”.
Já no sábado (30), às 20h, é a vez do roteirista argentino Jorge Goldenberg participar do 6° Encontro Ficção Viva, apresentando o longa-metragem “La Pelicula del Rey”.



Serviço:
5º Encontro Ficção Viva com Carlos Sorín (Argentina)
Bate-papo com o convidado e estreia do longa-metragem “A Janela”
Data: 23 de maio de 2009 (sábado)
Horário: 20h
Local: Cinemateca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 1.174)
Entrada franca.

Workshop de direção cinematográfica com Carlos Sorín (Argentina)
Data: 23 e 24 de maio de 2009 (sábado e domingo)
Horário: das 9h às 12h e das 14h às 17h
Local: Cinemateca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 1.174)
Vagas limitadas
Inscrições e informações: www.projetoolhovivo.com.br / (41) 3015-1592

Semana do Cinema Argentino
Data: 25 a 29 de maio de 2009 (segunda a sexta-feira)
Projeções diárias de filmes de diretores argentinos
Horário: 16h e 20h
Local: Cinemateca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 1.174)
Entrada franca.

Dia 25
16h - O Caminho de São Diego (El Camino de San Diego) – Carlos Sorín
20h - O Cachorro (El Perro) – Carlos Sorín

Dia 26
16h - Histórias Mínimas – Carlos Sorín
20h - As leis de família (Derecho de Família) - Daniel Burman

Dia 27
16h - O Abraço Partido (El Abrazo Partido) - Daniel Burman
20h - Um Mundo Menos Pior (Un Mundo Menos Peor) - Alejandro Agresti

Dia 28
16h - Buenos Aires Vice Versa - Alejandro Agresti
20h - O Guardião (El Custódio) - Rodrigo Moreno

Dia 29
16h - O Caminho de São Diego - Carlos Sorín
20h - Histórias Mínimas – Carlos Sorín

6º Encontro Ficção Viva com Jorge Goldenberg (Argentina)
Bate-papo com o convidado e exibição do longa-metragem “La Pelicula del Rey”

Data: 30 de maio de 2009 (sábado)
Horário: 20h
Local: Cinemateca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 1.174)
Entrada franca.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Em exibição os primeiros minutos de um filme

Gilles Jacob, presidente do Festival de Cannes, quer abrir o site do festival para exibir os 5 minutos iniciais dos fimes programados na seleção oficial do evento, na época de sua estreia nos cinemas (estreia na França, supõe-se).

Nenhum diretor ou distribuidor é obrigado a fazê-lo, mas Jacob está oferecendo essa
possibilidade, já que o site acaba de ser reformulado visualmente e
está hospedado em um provedor de banda larga de grande capacidade.

"Não me lembro se foi Altman ou Renoir que dizia que os grandes
diretores atingiam a sua melhor forma na primeira e na última bobina
do filme. Esperamos que o internauta deixe um pouco de lado seus
videogames e game-boys e fique tentado a correr ao cinema mais próximo
para descobrir o resto do filme".

(Fonte: UOL, 24/04, matéria)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Livro sobre cinema para baixar grátis

Quem procura uma introdução bem direta à História do Cinema, com contextualização e lista dos filmes principais de cada período ou estética, pode acesar o blog Dissertando sobre Cinema.

O autor, Nelson Barbosa, disponibiliza para download gratuito em PDF a sua obra Cinema - Arte, Cultura e História, que dá uma base introdutória interessante e bem didática sobre o assunto.

(Justiça seja feita: a dica é da Simone, aluna do nosso curso de História e Estética do Cinema)

Cinema Vivo atualiza Dogma 95 em São Paulo

Tem novidade na produção nacional. Bem ao estilo Dogma 95, um grupo de realizadores de São Paulo lançou o Cinema Vivo, que tem como proposta, em seu manifesto publicado no
site do grupo " a captação, edição e exibição simultâneas: câmeras na mão, em diferentes locações acessíveis ao público, transmitindo ao vivo para um computador, com edição em tempo real, que projeta o filme na tela de cinema".

Algumas regras para a criação do roteiro desta proposta:

- Não há cortes numa mesma locação.
- Um personagem não pode sair de uma locação e aparecer em outra imediatamente.
- Movimentação de câmera não extravagante.
- Três principais locações, com possibilidades de sublocações (de acordo com o alcance da tecnologia).
- Nas imagens externas, sempre as mesmas condições do ambiente e meteorológicas: sempre é dia, ou sempre é noite, ou sempre está nublado.
- As trocas de figurino e maquiagem devem ser rápidas e feitas na própria locação
- As cenas não podem ter duração muito breve, para dar tempo de deslocamento de atores de uma locação para outra.
- As cenas precisam ser expandidas, iniciando antes e terminando depois das ações principais, para possibilidade do corte ao vivo.
- Há espaços para improvisações, cacos, e inserções de informações atuais cotidianas nos diálogos dos personagens.
- Criação de jogos de aproximação e afastamento da diegese com o público.

O primeiro longa da turma tem o sugestivo nome de Fluidos e está sendo produzido neste momento. É esperar para ver. No site é possível inclusive acompanhar vídeos dos ensaios da equipe.

Sei que não tem nada ver, mas agora lembrei: alguém viu aquele longa gravado em Porto Alegre, "Ainda Orangotangos", todo em Plano-Sequência? Não chegou nem perto daqui e eu estava muito curioso para ver.

Um mês depois de São Paulo, CHE chega a Curitiba

Não fiz a conta na ponta do lápis, mas Curitiba (sem contar a região metropolitana) deve ter umas 70 salas de exibição. Está, se não me engano, entre os cinco maiores circuitos exibidores do Brasil.

Então se o problema não é do circuito deve ser de distribuição mesmo.

Pois, bem, quase 30 dias depois de ser lançado em São Paulo, o CHE de Soderbergh chega ao circuito curitibano, em seis salas.

Uma pergunta: quando vem o espetacular VALSA PARA BASHIR?